Alta do PIB em 2012 é revisada para 1,5%, diz Dilma

Em entrevista ao El País, presidente também falou sobre as manifestações e sobre os pactos 

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista ao jornal espanhol 'El País', que a economia brasileira teve seu crescimento revisado para 1,5% em 2012, acima da alta de 0,9% divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março.

"Esta semana resolveram reavaliar o PIB (Produto Interno Bruto). E o PIB do ano passado, que era 0,9%, passou para 1,5%", disse Dilma. "Nós sabíamos que não era 0,9%, que estava subestimado o PIB. Isso acontece com outros países também. Os Estados Unidos sempre revisam seu PIB. Agora nós neste ano vamos crescer bem mais do que 1,5% - resta saber quanto acima", acrescentou.

Dilma também comentou as manifestações que aconteceram no país em junho. Segundo ela, as manifestações pacíficas rejuvenescem um país. Ela lembrou que foi percebido um lado importante, de descontentamento com a qualidade dos serviços públicos.

“Ninguém estava nessas manifestações pedindo uma volta atrás, um retrocesso. O que se pedia era que houvesse um avanço. (…) Essas manifestações eram fruto de dois processos: um processo de democratização e também os processos de inclusão social e de crescimento do salário, do emprego, de crescimento das políticas sociais, que levaram para a classe média milhões de pessoas. Essas pessoas que saíram da miséria tinham reivindicações relacionadas à questão da saúde, da educação, da mobilidade urbana”, disse.

A presidente ainda lembrou que as manifestações criaram as condições para os cinco pactos propostos por ela em favor do Brasil.

“No caso da saúde, nós fizemos o programa Mais Médicos. Tudo que nós prometemos nos cinco pactos nós entregamos. Prometemos uma melhoria considerável na questão da saúde pública, e não só investimentos em postos de saúde, unidades de pronto-atendimento e hospitais, mas na questão dos médicos”, explicou.

Dilma também citou o pacto pela mobilidade urbana, que resultou em um investimento de R$ 143 bilhões em transporte coletivo urbano: metrô, VLT, BRT e corredor exclusivo de ônibus. Ela destacou que é a primeira vez que um governo federal faz esse volume de investimento. No pacto pela educação, foi aprovada a destinação dos royalties e o fundo social do pré-sal para a área.

“E o pacto pela reforma política que nós enviamos para o Congresso e que eu acho que é fundamental, que implica uma reforma eleitoral que trate de tudo – de financiamento de campanha, mas também, em decorrência disso, uma melhoria sistemática na questão ética que é a da corrupção. Agora, a condição para esses pactos é a estabilidade fiscal”, afirmou.