Petrobras completa 60 anos de conquistas e desafios 

Empresa é exemplo de política desenvolvimentista

A Petrobras completa nesta quinta-feira (3/10) 60 anos ao longo dos quais superou desafios e descrédito de todos e hoje é uma das maiores empresas petrolíferas do mundo e pioneira na exploração em águas profundas. Na década de 50 era impensável que o Brasil pudesse ser produtor de petróleo e muito menos ter uma empresa estatal para prospecção do produto. Essa foi a primeira barreira quebrada por Getúlio Vargas ao criar a Petrobras, contra tudo e contra todos. O primeiro desafio da empresa foi justamente convencer os brasileiros da necessidade de sua existência.

Os próximos desafios foram definidos pela própria empresa que pretende aumentar sua capacidade de produção dos atuais 2,2 bilhões de barris/dia para 4,2 bilhões até 2020 contando para isso com o potencial de exploração do Pré-sal. No mesmo período, a capacidade de refino deverá passar dos atuais dois milhões de barris/dia para três milhões. Completando o desafio, a companhia terá que conjugar esses investimentos, que deverão chegar a cerca de US$ 240 bilhões, mantendo saudáveis suas contas, o que no momento representa um dos maiores desafios para a empresa devido a defasagem dos preços dos combustíveis.

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Por seu histórico, a Petrobras deverá superar também esse desafio de caixa, da mesma forma que superou as previsões de seu fim, em 1995, quando o monopólio de exploração do petróleo foi quebrado e a empresa – considerada na época uma caixa preta – encarou o mercado nos anos seguintes e mostrou sua capacidade de atuação também num ambiente de plena concorrência.

Em 2010, a Petrobras alcançou o terceiro lugar entre as maiores petrolíferas do mundo com valor de mercado próximo de US$ 230 bilhões, mas dois anos depois cairia para sétimo lugar com rebaixamento também de seu valor para cerca de US$ 125 bilhões. Essa situação, que não teve alteração profunda até o momento, está prestes a mudar com as expectativas em torno do Pré-sal.

Pelo novo sistema de partilha, a Petrobras terá 30% do Pré-sal e já no leilão de libra, previsto para o final deste mês, a empresa vai se debruçar sobre uma boa parte dos quase 15 bilhões de barris dessa reserva. A empresa terá direito ainda a mais cinco bilhões de barris relativos à cessão onerosa, além dos blocos já arrematados pela Petrobras que ainda estão em fase de exploração e que deverão dar á empresa um dos maiores portfólios do mundo no setor.

Em contrapartida a esses recursos, a Petrobras vem fazendo o dever de casa e adotou uma política de austeridade como forma de compensar a defasagem dos preços dos combustíveis. Nos próximos quatro anos, a empresa pretende reduzir seus custos em até R$ 32 bilhões e se desfazer de ativos que totalizam cerca de R$ 10 bilhões. Desse total, a empresa já contabiliza cerca de 10% em desinvestimentos, aproximadamente R$  4 bilhões.