OGX já está elaborando plano de reestruturação

Mercado aguarda calote de US$ 44, 5 milhões nesta terça (1)

A OGX, empresa do ramo de petróleo e gás de Eike Batista, confirmou nesta terça-feira (30/9) que já está elaborando o plano de reestruturação, primeiro passo para o pedido de recuperação judicial. De acordo com a assessoria de imprensa da petroleira, "o plano está sendo conduzido pela própria companhia, com assessoria da Blackstone e Lazard". A empresa diz ainda que não irá comentar o calote de US$ 44, 5 milhões referentes a juros de um bônus, que o mercado espera ser anunciado nesta terça-feira (01), juntamente com o pedido de recuperação judicial.

A situação de pré-falência da OGX foi criticada nesta segunda-feira (30) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a petroleira causou problemas à imagem do país e para a bolsa de valores (Bovespa), que de acordo com o ministro “teve uns 10% de queda” por causa das empresas de Eike Batista. Mantega ressaltou esperar que as empresas do Grupo EBX se reequilibrem o quanto antes.

O calote esperado pelo mercado para esta terça-feira é referente a parte de uma dívida com prazo de vencimento em 2022, na ordem de US$ 1,06 bilhão, mas outro pagamento está previsto para o final do ano. Caso a empresa consiga ser enquadrada na recuperação judicial, o pagamento do final do ano também será suspenso, pois as suas ações automaticamente ficam suspensas. A OGX tem outra dívida, mas com vencimento em 2018, na ordem dos US$ 2,6 bilhões. A assessoria de imprensa da petroleira afirma que já está em conversas com os diversos credores da empresa.

Desde a semana passada que o mercado aguarda o calote da OGX  por conta da queda das ações da empresa na bolsa, que atingiu R$ 0,28 e pode chegar a zero, segundo expectativa de especialistas. A empresa de Eike Batista precisa levantar cerca de US$ 500 milhões para fazer frente às suas despesas imediatas e tentar sair da situação crítica em que se encontra atualmente. No entanto, a falta de credibilidade e a fragilidade de suas contas impedem o acesso a novas linhas de crédito.

* Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil