Cade aprova venda da Marina da Glória para BRM Investimentos

Transação abre nova discussão sobre futuro do local

Foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sem restrições, a venda do controle da Marina da Glória, no Aterro do Flamengo, para uma holding do setor. Segundo publicação desta segunda-feira (30) no Diário Oficial da União, a operação envolveu a venda do controle da MGX Empreendimentos Imobiliários e Serviços Náuticos, do empresário Eike Batista, para a BRM Holding de Investimento Glória. Os valores da transação não foram divulgados. 

O trâmite faz reacender a discussão em torno do futuro da Marina da Glória, importante ponto turístico do Rio e local onde serão realizadas competições nas Olimpíadas de 2016. O local, que passou a ser controlado pelo grupo EBX em 2009 e que se limita a visitas apenas de donos de barcos, pedia por um projeto de modernização que atraísse o restante da população e investisse em uma maior integração da própria marina com o restante do Parque do Flamengo. Apenas em 2011 o grupo de Eike Batista lançou um projeto de suposta revitalização da Marina da Glória, mas gerou uma enxurrada de críticas por conta de seu caráter exclusivamente comercial. 

Inicialmente, o projeto previa a criação de um estacionamento subterrâneo para 1,5 mil vagas e edifício comercial, com custo de R$ 550 milhões. Definido pelo próprio Eike Batista como um “devaneio”, o antigo projeto foi engavetado e substituído por uma nova proposta, aprovada em 2013 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (Iphan) sem qualquer divulgação ou audiência pública prévia. Incluía um estacionamento com a capacidade para 600 veículos e um complexo empresarial de 15 metros de altura. O projeto faria alterações em uma área total de 20 mil metros quadrados, quase cinco vezes maior do que o projeto de 1965, que faz parte do plano original do Parque do Flamengo, e obstruiria a visão do Morro Cara de Cão, na Urca. 

Não demorou muito para que moradores da área e especialistas em urbanismo iniciassem campanhas contrárias à construção do polêmico empreendimento que, segundo eles, descaracterizaria o Aterro do Flamengo e em nada revitalizaria o trecho. O grupo EBX ainda recebeu acusações de falta de transparência por não divulgar os detalhes do projeto. 

O anteprojeto do empreendimento foi aprovado em janeiro deste ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), dentro dos limites do tombamento da área da Marina da Glória, segundo a assessoria do órgão. Mas, de acordo com especialistas, construir um prédio em áreas públicas como o Aterro, que não fazem parte do trecho edificável da cidade, já representa a descaracterização do patrimônio.

Em março deste ano, a MGX, braço do grupo EBX responsável pelo controle da Marina, anunciou que uma nova gestão, liderada por Alberto Braune, prepararia a marina para o esperado processo de revitalização. Após toda a polêmica, o grupo EBX, em meio à extrema crise financeira e possível pedido de falência ainda nesta terça-feira (1), se retira do controle da marina sem ter realizado nenhum investimento efetivo no local. A população torce para que, com a nova gestão, o desfecho não seja o mesmo

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil