Leilões de concessão são medidas de urgência e podem assustar investidores

Diretor do CBIE revela expectativa das empresas sobre os leilões

A necessidade de investimentos em infraestrutura no Brasil, acompanhada do cenário político do atual momento, pode confundir a intuição dos investidores e comprometer o resultado que o governo espera nos leilões e nas concessões que estão sendo realizadas em diversas áreas. A urgência dessas medidas, no entanto, pressiona a presidente Dilma e sua equipe, que não encontram outra saída a não ser seguir em frente com os projetos e enfrentar as críticas em relação a essas ações.

O diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, alerta para os principais motivos que podem ter feito do leilão do Pré-sal uma surpresa negativa frente às expectativas do governo. Para o diretor, os leilões são uma boa alternativa para melhorar a qualidade da infraestrutura dos serviços no Brasil e são garantia de aumento dos investimentos, mas ele afirma que o governo tem pecado na tentativa de gerar grande atratividade dos investidores. O modelo de gestão intervencionista, ressalta Pires, assusta o mercado que tem encarado os processos de concessão como questão de necessidade econômica e política, e não de convicção. Ainda que essa não seja, de fato, a realidade.

Além disso, Adriano Pires afirma que a proximidade das eleições presidenciais e a execução de diversos leilões no mesmo período gerou desconfiança das grandes empresas que deveriam concorrer pela administração do Pré-sal e de rodovias e que o mesmo pode acontecer posteriormente, no caso dos aeroportos, portos e ferrovias. Apesar das previsões ligeiramente pessimistas, o diretor acredita que o processo de concessões ainda vai gerar agradáveis surpresas, como no caso do leilão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão. De acordo com Adriano, o aeroporto é uma peça notável na composição da infraestrutura de serviços brasileira e promete estimular acirradas disputas pela sua administração. 

Enquanto o projeto do governo Dilma vive de previsões, os leilões seguirão ocorrendo e mostram-se uma iniciativa de emergência para garantir que os serviços sejam prestados com excelência. Com o Brasil nos holofotes internacionais, pela vinda dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, a presidente tenta assegurar que o país não passe vexame por falta de organização e suporte, unindo iniciativa privada e governo. Além disso, a melhoria de rodovias e, principalmente, ferrovias, pretende fortalecer a estrutura de escoamento de produtos e pessoas no país, afetando de maneira inquestionável a economia brasileira.