Grupo 'X': exposição de bancos credores preocupa investidores

Não são apenas as ações das empresas de Eike Batista que estão sofrendo graves desvalorizações no mercado. O mau desempenho tem se refletido também nas ações dos principais credores das empresas do grupo EBX. Esta tendência tem preocupado investidores, que agora buscam dados que informem qual o tamanho do rombo, ou seja, quanto cada banco emprestou para o grupo do empresário brasileiro.

Entre os bancos privados, o BTG seria o mais vulnerável com as oscilações das empresas do grupo X em dívidas de curto e longo prazo, segundo relatório do BofA (Bank of America). O banco tem em torno de R$ 500 milhões em empréstimo de curto prazo, e suas ações amargaram uma queda de 7,59% na terça-feira. 

O Bradesco, que tem quase R$ 1 bilhão em empréstimos de curto prazo para empresas de Eike Batista, viu suas ações caírem 5,07%. No mesmo patamar está o Itaú, que emprestou pouco mais de R$ 1 bilhão ao grupo e cujas ações tiveram baixa de 4,32%.

Mas não são apenas os bancos privados que estão sofrendo o impacto da desvalorização do grupo X. A exposição do BNDES à dívida das empresas de Eike é de 10,1%, e a da Caixa Econômica Federal, de 6,2%.

Mais uma agência de risco rebaixa nota da OGX, de Eike Batista 

Na noite de terça-feira (2), a agência de risco Moody's rebaixou o rating da OGX de B2 para CAA2 com perspectiva negativa. Essa nota indica alto risco de calote, segundo a escala.

"O rebaixamento do rating da OGX é motivado pela fraca resposta de produção de petróleo e dos fluxos de caixa, comprometendo negativamente a cobertura de notas sênior sem garantias da empresa", afirmou Gretchen French, vice-presidente da Moody's, em comunicado.

OGX é terceira na lista de maiores ameaças de calote aos credores 

A empresa americana de gestão de risco Kamakura informou nesta terça-feira (2) que a OGX, do empresário Eike Batista, figura em terceiro lugar na lista de maiores ameaças de calote aos credores.

A Telecom Italia lidera a lista, com chance de calote de 13,38%. Em seguida aparece uma empresa russa e depois a OGX, com risco de default de 9,81%, segundo a Kamakura.

Nesta segunda-feira, a OGX anunciou que suspendeu o desenvolvimento de alguns campos de petróleo e gás na bacia de Campos e que não investirá no aumento da produção dos poços de Tubarão Azul, motivando queda de quase 30% de suas ações.

A Kamakura informou também que o número de empresas no mundo com perigo de não honrar o pagamento de dívidas subiu no mês passado. Seis das dez empresas mais arriscadas estão na Europa.