Mercado poderá testar política monetária brasileira

Ataques especulativos poderão ocorrer em breve

O enxugamento da liquidez, que vem sendo anunciada pelos bancos centrais de diversos países, e que já está afetando o Brasil, com a desvalorização do real frente ao dólar, poderá se agravar em breve com ataques especulativos ao real. As políticas monetárias dos países emergentes poderão ser testadas pelo mercado internacional, contribuindo para uma desestabilização dessas economias. A previsão foi feita pelo presidente do Banco Central de Dallas, Richard Fischer que comparou os especuladores a porcos selvagens.

O ex-ministro Antonio Delfim Neto alerta para uma situação que começa a tomar forma no cenário internacional e que poderá ser extremamente prejudicial ao Brasil. Delfim afirma que diante dessas perspectivas negativas, o Banco Central do Brasil vem adotando uma política correta, defensiva, e a única que pode ser executada no momento. “O problema não está aqui no nosso país, mas lá foram com a valorização do dólar e o BC está fazendo o que deve ser feito que é o de manter uma postura defensiva”, disse Delfim.

O ex-ministro, citou Richard Fischer e afirmou que ele comparou o mercado com porcos selvagens: quando sentem fraqueza ou cheiro ruim eles atacam. Para Delfim, a autoridade monetária brasileira deve ter sangue frio nesse momento. Os últimos ataques especulativos contra o real correram no final de década de 90, quando o Banco Central adotou uma política de contenção da valorização do dólar e queimou reservas para evitar uma supervalorização da moeda americana.

O maior problema de desequilíbrio que pode propiciar um ataque especulativo às moedas ocorre quando as reservas internacionais ficam num nível bem abaixo do meio circulante (M1). Essa situação demonstra que aquele país não terá condições de converter a moeda nacional em dólares e essa possibilidade afugenta o capital internacional, que teme não ter como sair do país com seus investimentos. Atualmente, o meio circulante no Brasil está em R$ 161 bilhões, enquanto que as reservas estão em US$ 372 bilhões. Pelo câmbio atual, esse total de reservas equivale a cerca de R$ 837 bilhões, o que representa mais de cinco vezes o total do meio circulante.