Fitch rebaixa ratings da OGX 

Agência duvida da capacidade de Eike Batista honrar a opção de venda de ações detidas pela empresa

A agência Fitch Ratings rebaixou os IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em Moeda Estrangeira e Local da OGX Petróleo e Gás Participações S.A. de 'B-' para 'CCC’, e seu Rating Nacional de Longo Prazo de 'BB+ (bra)' para ’CCC (bra)’. 

A agência também rebaixou o rating das notas de US$ 2,6 bilhões e US$ 1,1 bilhão da subsidiária integral da OGX Austria GMBH para ‘CCC/RR4’, de ‘B-/RR4'. Ambas as emissões são garantidas pela OGX, OGX Petróleo e Gás Ltda. e OGX Campos Petróleo e Gás S.A.

A perspectiva dos ratings corporativos é negativa.

O rebaixamento dos ratings reflete a crescente incerteza com relação à intenção e à capacidade do acionista controlador, Eike Batista, de honrar a opção de venda de ações detidas pela OGX, no montante de US$ 1 bilhão. Em face das necessidades de recursos da OGX para financiar seu programa de investimentos, vital para o aumento de produção, uma inadimplência por parte de Eike Batista em relação à opção de venda pode apertar ainda mais a liquidez da companhia. 

No início desta semana, a OGX anunciou que seu acionista controlador reduziu sua participação na companhia para 58,92% por intermédio de venda de 2,17% das ações da OGX, em maio de 2013. Embora essa venda seja simbólica, ela aumenta a preocupação com o compromisso de Eike Batista em relação à companhia. O preço de venda reportado ficou entre 1,57 e 1,85 por ação, substancialmente inferior ao preço de exercício da opção de venda, de 6,30 por ação. Esta diferença de preço justifica a incerteza sobre a intenção de o acionista controlador honrar a opção de venda, que expira em 30 de abril de 2014. A indisponibilidade desses recursos poderá pressionar ainda mais a capacidade de a OGX continuar operando.

Os ratings ‘CCC’ da OGX refletem as preocupações da Fitch em relação à liquidez da companhia nos próximos 12 a 18 meses, dados os elevados investimentos necessários para aumentar a produção e o fluxo de caixa operacional.

Em 31 de março de 2013, a liquidez da OGX era de US$ 1,1 bilhão.  O ambicioso programa de investimentos da companhia, de aproximadamente US$ 1,3 bilhão em 2013, e seu EBITDA de baixo a negativo (sujeito à velocidade de recuperação dos volumes de produção) deverão resultar em insuficiência de fluxo de caixa até o final de 2013. Em março de 2013, a dívida da OGX totalizava US$ 4 bilhões, composta, principalmente, por US$ 2,6 bilhões de notas com vencimento em 2018 e US$ 1,1 bilhão de notas com vencimento em 2022.

A ação de rating também considera a entrada de caixa com a venda de ativos para a Petronas e para a MPX. Embora essas transações proporcionem nova fonte de caixa à companhia, a liquidez continuará apertada, e a OGX precisará acessar outras fontes de recursos para cobrir o seu déficit de fluxo de caixa.

Os ratings da OGX serão rebaixados se seus riscos de liquidez continuarem aumentando e/ou se ela encontrar novos problemas  com relação à execução do seu plano de exploração e desenvolvimento. Uma ação positiva de rating pode resultar da entrada de significativas fontes externas de capital e de volumes de produção satisfatórios, aliados à redução das incertezas com respeito às reservas e à liquidez.

A OGX é uma companhia brasileira de petróleo e gás criada em 2007, controlada em 58,92% pelo grupo EBX. A empresa tem uma carteira de 62 blocos no Brasil e na Colômbia, incluindo os recém-adquiridos 13 blocos exploratórios no Brasil. No país, os blocos da OGX estão localizados nas bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, Pará-Maranhão e Parnaíba.