Combate à inflação é prioridade do Governo

Decisão foi tomada pela própria presidente Dilma

O repique da inflação verificado nos primeiros meses do ano começa a ceder, com índices ficando mais próximos da meta de 6,5% ao ano. Os sinais são claros e contínuos. Nesta quarta-feira (5/6) a Fundação Getúlio Vargas divulgou a variação do IPC-C1, que mede a inflação das classes C e D, que ficou em 0,18% em maio, contra 0,59% de abril. Já o IPC-BR, que mede a variação geral de preços, registrou em maio 5,96% referente ao acumulado do ano. Apesar dessa redução, o Banco Central decidiu aumentar a taxa de juros, numa clara preocupação com a alta dos índices.

Junto com essa medida, o Ministério da Fazenda reduziu a zero a alíquota do Imposto sobre Operações Fincanceiras (IOF) para investidores estrangeiros que queiram aplicar em renda fixa. A incidência do tributo era de 6%  até ontem e a mudança também representa uma clara preocupação do Governo com a inflação. A redução do imposto tem como objetivo aumentar a oferta de dólares no mercado interno e com isso reduzir o preço da moeda americana que nas últimas semanas vem se valorizando frente ao Real.

Com o dólar num patamar mais baixo, os produtos importados ficam mais baratos aumentando a concorrência e, indiretamente, impactando nos índices da inflação. O dólar teve um aumento expressivo recentemente devido a uma possível decisão do Banco Central dos Estados Unidos que poderá interromper a recompra de títulos e com isso aumentar o valor dos papéis do Tesouro dos EUA. Essa interrupção já está elevando os preços dos títulos, tornando esse investimento atrativo aos investidores internacionais. Essa medida fez com que houvesse uma evasão de divisas no Brasil rumo aos Estados Unidos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em nota divulgada hoje, afirma que a redução do IOF não teve como intenção conter a inflação. Segundo ele, as medidas de combate à inflação são tomadas pelo Banco Central. “A alta dos juros é para combater a inflação, sobretudo a das expectativas, para não incentivar aumentos indevidos de preços”, afirmou Mantega. Ele destacou ainda que “a inflação está em queda e, com a redução nos preços dos alimentos, ela será cada vez menor”.

As ações coordenadas pelo Governo no combate à inflação, no entanto, tiveram origem no Palácio do Planalto e pretendem reduzir as especulações do mercado que vêm produzindo expectativas negativas em relação à economia brasileira. Nos primeiros meses do ano havia uma disseminação de que a inflação seria crescente e incontrolável. Os índices estão voltando para a meta, mesmo antes das medidas adotadas surtirem algum efeito. Foi previsto também que os investimentos ficariam estagnados com sérias consequências sobre o desenvolvimento, o que não se confirmou. A indústria mostrou que está investindo e em abril houve crescimento de 1,8% em relação ao mês anterior. O nível de emprego é outro indicador que desmente os alarmistas de plantão.

A decisão de tomar as medidas para conter a inflação partiu da própria presidente Dilma Rousseff que não admite perder o controle dos indicadores econômicos. Ao dar a ordem para sua equipe ministerial, Dilma teve como objetivo preservar o legado deixado pelo ex-presidente Lula, responsável pela ascensão de uma nova classe média e redução da pobreza no país. A presidente não quer ser vista como uma administradora que não deu prosseguimento a “herança bendita” deixada por Lula.