O medo do fantasma brasileiro

União Industrial Argentina monitora de perto a evolução econômica do país vizinho

Buenos Aires - As perspectivas para a economia brasileira para 2013 foram o foco da reunião do Comitê Executivo da União Industrial Argentina com a liderança de seu presidente, Ignacio de Mendiguren, realizada nesta quarta-feira (13). Segundo estimativas, o crescimento do Brasil permanecerá moderado, enquanto o governo não abandonar completamente suas políticas antiinflacionárias que lhe impõem uma âncora para a economia. Industriais argentinos não escondem sua preocupação com o possível impacto sobre os setores de produção de bens negociáveis.

Um dos setores em que se verifica um maior grau de preocupação é o automotivo. As empresas fornecedoras de peças automotivas que trabalham para fornecer as plantas localizadas na Argentina estão de olho na evolução do mercado brasileiro e da política de grandes marcas, com plantas instaladas em ambos os lados da fronteira. Como as políticas de produção são definidas com base em estratégias globais, se o mercado brasileiro se retrai, na Argentina se registra o impacto. O relatório final da câmara empresarial nucleadora das montadoras brasileiras, a Anfavea, disse que em fevereiro a demanda por veículos foi reduzida em 20%, de acordo com um comentário feito desta quarta-feira na reunião da UIA.

Embora o ano de 2012 tenha terminado com uma recuperação moderada da atividade industrial no Brasil e números oficiais de janeiro marquem a ratificação desta tendência, os líderes da indústria da Argentina novamente voltaram a expressar sua preocupação. Não só o setor automotivo, mas também vários setores da indústria leve, como calçados e têxteis, muito sensíveis ao mercado interno do sócio maior do Mercosul. 

Tanto os cálculos privados quanto as estimativas oficiais indicam uma previsão de crescimento para o Brasil de 3% para este ano. No entanto, nesta quarta-feira alguns membros do Comitê Executivo não descartavam a possibilidade de o governo rever as políticas restritivas de Dilma Rousseff para conter uma eventual escalada da inflação.