Semana será marcada pela repercussão do corte de gastos nos EUA 

No Brasil, principal anúncio é a decisão do Copom sobre a Selic

O corte de 85 bilhões de dólares dos gastos públicos nos Estados Unidos, anunciados neste sábado (2) pelo presidente Barack Obama, deverá mexer com as bolsas de valores em todo o mundo na segunda-feira (4), quando reabrem. "Só não dá para saber o quanto isso afetará o mercado, porque já era uma coisa mais ou menos esperada. 85 bilhões, em sete meses, é muito. Mas a economia deles é bem maior", analisa André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

"Havia uma esperança de que eles conseguissem reverter este quadro do corte na última hora, como fizeram com o Abismo Fiscal, mas não deu. O melhor de tudo, se é que se pode pensar em uma boa notícia, é que o problema acabou. Agora, é seguir em frente", acredita.

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, aguarda a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) na próxima sexta-feira (8). Segundo Perfeito, "houve uma queda na margem da inflação mais forte do que o pensado" e o índice que mede os preços não deve assustar. Um dia antes, o Copom (Comitê de Política Monetário) do Banco Central (BC) divulga também a taxa básica de juros da economia, atualmente em 7,25%. A tendência é de manutenção, afirma o especialista.

"Tivemos a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) agora, que veio muito baixo. Com os preços já se ajustando à meta do governo, acredito que a pressão para a subida dos juros diminuiu e o Copom deverá manter a taxa como está", analisa. 

Perfeito afirma que os dados econômicos atuais mostram que o argumento defendido pelo BC nos últimos meses, de controle da inflação e juros baixos, parece mais "factível atualmente", já que, segundo o especialista, "as hipóteses econômicas que a autoridade levantaram estão aos poucos se confirmando". 

Um aumento dos juros seria uma mudança "muito radical" e "sem um ganho efetivo para controle de inflação", finaliza.

>> Barack Obama autoriza cortes de US$ 85 bilhões no orçamento dos EUA

Obama: cortes são estúpidos

Diante do fracasso nos esforços para se obter um acordo suprapartidário, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumpriu com a obrigação legal de reduzir os gastos domésticos e de defesa e determinou um corte de US$ 85 bilhões no orçamento federal na noite da última sexta-feira (1). 

Antes de autorizar o corte, Obama se referiu à medida como  "estúpida", sob a justificativa  que provocará desemprego e terá um impacto negativo sobre a economia americana.

"Diante da ausência de uma decisão do presidente (republicano) da Câmara de Representantes, John Boehner, e de outros legisladores para colocar os interesses das famílias de classe média acima dos interesses políticos, os cortes entrarão em vigor", lamentou.