Itália e EUA devem influenciar pregão

A situação política na Itália e os dados do mercado imobiliário nos Estados Unidos devem influenciar o andamento do pregão mundial desta terça-feira. Diante deste cenário, os índices europeus operam com forte queda.

“Os resultados das eleições italianas, encerradas ontem, sugerem que as forças políticas moderadas, defensoras da continuidade dos programas de austeridade em curso, enfrentarão dificuldade para formar uma coalizão estável, uma vez que grupos divergentes saíram fortalecidos do pleito, seja pela direita, com Silvio Berlusconi, ou pela esquerda, com Beppe Grillo”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Sentindo os reflexos da instabilidade política na Europa, os índices asiáticos recuaram fortemente nesta terça-feira. Com isso, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de terça-feira, 26, com queda de 2,26%. O índice Nikkei 225 perdeu 263,71 pontos, a 11.398,81 unidades.

Dessa forma, a perspectiva de instabilidade política na terceira maior economia da Área do Euro renova a percepção de risco dos mercados internacionais, impondo queda nas bolsas europeias, de modo mais intenso nos mercados acionários de Espanha e Itália, onde os juros dos títulos de dívida pública voltaram a subir.

Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava perdas de 2,49%, aos 3.628 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 1,86%, aos 7.628 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava baixa de 1,36% aos 6.268 pontos.

Os inesperados resultados das eleições legislativas na Itália ameaçam a governabilidade do país, com um Parlamento sem maioria definida e dependente do irreverente líder anti-sistema Bepe Grillo. A coalizão de esquerda, liderada por Pier Luigi Bersani, obteve 29,55% de votos, contra 29,18% para a aliança de direita do ex-premier Silvio Berlusconi, mas devido à legislação eleitoral italiana, o ganhador ficará com 340 das 630 cadeiras da Câmara de Deputados, segundo o ministério do Interior.

Diante deste cenário, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, estimulou nesta terça-feira, a Itália a formar rapidamente um governo estável para prosseguir com a política de reformas do país, "no interesse de toda Europa".

Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em campo positivo. Mas, investidores aguardam a divulgação dos dados referentes ao mercado imobiliário do país.

Por aqui, o Ibovespa deverá seguir em linha com o mercado externo.

Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou pelo quinto mês consecutivo entre janeiro e fevereiro, ao passar de 117,9 para  116,2 pontos, o menor desde janeiro de 2012 (106,0 pontos).

Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a taxa de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, foi estimada em 5,4%, a menor para o mês de janeiro desde o início da série (março de 2002), 0,8 ponto percentual acima do resultado apurado em dezembro (4,6%).

Para Barros, o mercado de câmbio opera sem direção única, com rublo russo e rúpia indiana liderando as depreciações contra o dólar norte-americano, enquanto o rand sul-africano aponta para a maior apreciação do dia; euro mostra valorização modesta. “Para o real, esperamos ligeira depreciação”, finaliza o diretor.