SP: metalúrgicos ameaçam greve se não houver acordo com GM

Em assembleia realizada nesta quinta-feira, os trabalhadores da General Motors de São José dos Campos (SP) aprovaram as propostas apresentadas pelo sindicato dos metalúrgicos à montadora na reunião de ontem. Segundo informações da entidade sindical, eles decidiram que, caso a GM não aceite chegar a um acordo, haverá greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, dia 28.

O acordo para evitar as demissões termina neste sábado, dia 26, quando o layoff (suspensão do contrato de trabalho) de 824 trabalhadores acaba. “Com a greve, os trabalhadores pretendem pressionar a presidente Dilma Rousseff para que assine uma medida provisória proibindo que empresas beneficiadas por incentivos fiscais realizem demissões”, diz o sindicato. “A GM, assim como todo o setor automotivo, foi beneficiada pelo Plano Brasil Maior, que inclui a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos.”

A próxima – e última reunião – com a GM será neste sábado, dia 26, a partir das 10h. Ontem, o sindicato apresentou proposta à montadora, condicionada a novos investimentos na fábrica e à garantia de que não haja demissões. Segundo o sindicato, hoje, a fábrica possui 7.500 trabalhadores.

Hoje, a Câmara Municipal de São José dos Campos realiza, às 16h, uma audiência pública para discutir a situação dos trabalhadores da GM. 

Procurada, a GM não comentou o caso.

Entenda 

A GM deixou de produzir três dos quatros modelos que eram fabricados em São José dos Campos: Corsa Hatch, Meriva e Zafira, apenas foram mantidas as atividades em relação ao Classic. No entanto, a montadora anunciou a redução da produção do modelo para 80 unidades por dia, ante produção anterior de 350 veículos ao dia. A empresa, contudo, informou ter aumentado a produção da pick-up S10, no complexo industrial.

Em outubro, os metalúrgicos do complexo conseguiram prorrogar com a montadora, do final de novembro para o fim de janeiro, a suspensão de um plano de demissões na unidade. Com o acordo, o período de suspensão de contrato de trabalho de 824 trabalhadores da linha de montagem foi estendido de 30 de novembro para 26 de janeiro, mesmo prazo em que a montadora concordou em continuar produzindo o sedã compacto Classic na linha, onde cerca de 900 funcionários atuam.

Segundo o sindicato, a GM planeja cortar, ao todo, 1.840 trabalhadores da linha, que fabricava modelos antigos que acabaram sendo substituídos por veículos mais novos que estão sendo produzidos em outras fábricas da empresa no País. O sindicato diz ainda que a GM mantém intenção de transferir a produção do Classic para fábrica na Argentina. Com base em estudos feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, o sindicato da categoria informou que a GM já cortou 1.189 vagas, entre julho de 2011 e junho de 2012 e que só na unidade de São José dos Campos foram eliminados 1.044 postos.