Apple e indicadores econômicos devem influenciar pregão

As principais bolsas de valores mundiais não devem definir tendência, com investidores avaliando o resultado obtido pela Apple e os indicadores econômicos globais. Diante deste cenário, os índices europeus e o indicador futuro das bolsas norte-americanas operam em direções opostas.

Enquanto isso, os principais índices acionários da China mostraram leve queda, após a Apple, que usa insumos produzidos no país asiático, divulgar desaceleração nas vendas, ofuscando a divulgação do resultado do índice PMI chinês, que veio acima das expectativas.

“A prévia do índice PMI chegou a 51,9 pontos em janeiro, superando a marca de dezembro (51,5) e alcançando o maior patamar dos últimos dois anos. O destaque ficou com a melhora do componente de produção, que passou de 51,9 pontos em dezembro para 52,2 pontos neste primeiro mês do ano”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Com isso, a Bolsa de Tóquio fechou em alta de 1,28%, após três dias de queda. No fechamento desta quinta-feira, o índice Nikkei dos 225 principais valores subiu 133,88 pontos, a 10.620,87 pontos.

Já na Europa, as bolsas revertem às perdas da abertura e já operam em terreno positivo. Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava ganhos de 0,19%, aos 3.733 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 0,01%, aos 7.707 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, operava com alta de 0,25% aos 6.213 pontos.

Por lá, foi divulgado que a prévia do índice PMI composto da Área do Euro subiu de 47,2 pontos para 48,2 pontos na passagem de dezembro para janeiro, marcando o terceiro mês seguido de alta e chegando à maior alta em dez meses. “A abertura do indicador mostrou recuperação mais forte na indústria de transformação e, por outro lado, alta menos expressiva no setor de serviços”, explicou Barros.

Por outro lado, o PMI da indústria de transformação acelerou de 46,1 para 47,5 pontos, atingindo o mesmo nível de maio de 2012. O PMI de serviços registrou avanço de 47,8 para 48,3 pontos. “Na abertura por país, o destaque ficou por conta da Alemanha, que apresentou crescimento forte no setor de serviços, com o indicador passando de 52 para 55,3 pontos”, ressaltou Barros.  

Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em direções diferentes. Mas, investidores aguardam a divulgação dos pedidos iniciais de auxílio - desemprego da semana e a publicação do índice PMI Markit da indústria de transformação de janeiro - preliminar.

Por lá, a Apple anunciou ontem, 23, que obteve durante o primeiro trimestre fiscal, encerrado em 29 de dezembro, um lucro líquido de US$ 13,08 bilhões, resultado abaixo do esperado por analistas do mercado. A empresa vendeu no período cerca de 47,8 milhões de iPhones, um aumento de 23% nas vendas quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

Além disso, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, controlada pela oposição republicana, autorizou o Governo Federal exceder o teto da dívida pública até maio.

Por aqui, o Ibovespa, deverá acompanhar o cenário externo no último dia de pregão da semana (amanhã, em virtude do feriado municipal em São Paulo, a bolsa não opera).

Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou pelo quarto mês consecutivo ao passar de 118,7 pontos, em dezembro para 117,9 pontos em janeiro.

Além disso, agentes aguardam a divulgação da Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve sair agora pela manhã.

Para Barros, no mercado de câmbio, a maioria das moedas deve perder valor ante o dólar. “O real, entretanto, deve caminhar na contramão e se apreciar, respondendo às preocupações com inflação”, finalizou o diretor.