Bolsas recuam com possível abismo fiscal nos EUA

O futuro econômico dos Estados Unidos volta a preocupar investidores mundiais e as bolsas globais operam em queda. Por aqui, o Ibovespa, segue o mesmo caminho e recua.  

Dúvidas a respeito das negociações sobre o ajuste fiscal nos Estados Unidos, sem um sinal claro e evidente de evolução no acordo entre democratas e republicanos, deixa investidores cautelosos. Com isso, após um período de alta, os mercados na Ásia encerraram os pregões em baixa refletindo o pessimismo global. Um exemplo é a bolsa de Tóquio que encerrou a sessão de quarta-feira com queda de 1,22%. O índice Nikkei 225 perdeu 114,95 pontos, a 9.308,35 unidades.

E na Europa o clima não poderia ser diferente. Ontem, notícias envolvendo a Grécia animaram os investidores, hoje, porém, o clima é bem diferente e bolsas operam em queda com investidores preocupados com a situação fiscal nos EUA.  

Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava perdas de 0,47%, aos 3.485 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 0,72%, aos 7.279 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava queda de 0,46% aos 5.772 pontos.

Na agenda do Velho Continente, hoje, o banco da Espanha anunciou que a recessão prosseguirá no 4º trimestre. "O conjunto das informações disponíveis aponta que o PIB seguirá caindo nos últimos meses de 2012, quando acontecerá a reversão do efeito de antecipação do gasto representado pelo aumento do IVA em setembro", explica o Banco da Espanha no boletim econômico mensal. E se tudo caminhar assim será o sexto trimestre negativo para o PIB do país, afetado por uma dura crise desde a explosão da bolha imobiliária em 2008.

Além disso, contribuindo ainda mais para a cautela dos investidores, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, ou CPI na sigla em inglês) da Alemanha deve avançar 1,9% em novembro se comparado com o mesmo período do ano passado, mas deve recuar 0,1% em relação ao mês de outubro de 2012, informou o departamento federal de estatísticas, Destatis.

Do lado corporativo, o banco espanhol Bankia, a maior união de bancos de poupança do país, nacionalizado em maio devido a seus problemas financeiros, anunciou que suprimirá entre 2012 e 2015 cerca de 6.000 empregos, ou seja, 28% de seu quadro de funcionários, dentro de seu plano de reestruturação.

Em Wall Street, o clima não é diferente e bolsas caem. Mas, investidores devem ficar atentos à agenda local que conta com a divulgação do Livro Bege que pode influenciar o andamento do pregão.

Minutos atrás, o índice Dow Jones perdia 0,55% aos 12.807 pontos; o S&P 500 tinha desvalorização de 0,64% a 1.389 pontos; e a bolsa eletrônica Nasdaq tinha queda de 0,79% aos 2.944 pontos.

Por lá, foi divulgado que os pedidos semanais de hipotecas norte-americanas registraram retração na semana encerrada no dia 23 de novembro. O índice divulgado pela Associação dos Bancos Hipotecários (MBA) recuou 0,9% na comparação com a semana anterior, em bases ajustadas sazonalmente. Em bases não ajustadas o índice caiu 23,5% comparação com a semana anterior.

Diante deste cenário, a bolsa brasileira, opera em queda em linha com o mercado externo. Há pouco, o Ibovespa, recuava 0,33%.

E abrindo a agenda de indicadores brasileiros, em outubro, a inadimplência das pessoas jurídicas cresceu 13,8% ante setembro, conforme revela o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas. O avanço de 13,8% também é verificado na comparação anual, entre outubro deste ano e igual mês de 2011. Na relação entre os acumulados de janeiro a outubro de 2012/2011, por sua vez, a elevação na inadimplência das empresas foi de 12,8%.

Contudo, a taxa de desemprego em sete regiões brasileiras recuou em outubro. O total de desempregados em Belo Horizonte, Distrito Federal, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo foi estimado em 2.365 mil pessoas, 80 mil a menos do que no mês anterior, segundo informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgadas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados ( Seade ) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Além disso, a atenção no cenário brasileiro deve-se voltar à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a nova taxa básica de juros.

Na renda fixa, os juros futuros operam em alta. Instantes atrás, o contrato de depósito interfinanceiro, com vencimento em janeiro de 2014, o mais negociado, apresentava taxa anual de 7,29%.

No mesmo sentido, o dólar opera com ganhos de 0,58% vendido a R$ 2,093.