Até 2020, metade da produção de petróleo sairá do pré-sal

Graça Foster evitou polêmica e diz que, para Petrobras, modelo de divisão é indiferente

O petróleo extraído da camada do pré-sal deve responder a 47% da produção total do combustível no Brasil até 2020, disse nesta segunda-feira a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, durante encontro com empresários em São Paulo. De acordo com a executiva, até 2016 a companhia pretende investir ao menos US$ 69,6 bilhões no setor de pré-sal, sendo que das seis novas unidades de produção de petróleo que a Petrobras espera concluir em 2013, duas serão voltadas para o pré-sal.

Entretanto, questionada sobre a disputa entre Estados produtores e governo federal a respeito do projeto de lei que cria novas regras para a divisião dos royalties do pré-sal, Graça Foster evitou entrar em polêmica e limitou-se a dizer que, para a empresa, o modelo de divisão é indiferente. Hoje, acontece um protesto no Rio de Janeiro para pedir que a presidente Dilma Rousseff vete a proposta, que causa prejuízos ao Estado, segundo o governo local.

Graça Foster afirmou, porém, que espera que o caso seja resolvido com o menor número de "desentendimentos" possível, e disse esperar que a polêmica seja encerrada até o ano que vem.

"Nós pagamos (os royalties do pré-sal ao governo). (...) Como Petrobras, para nós não faz diferença no resultado da companhia (o modelo da divisão). O mais importante é que isso se estabilize, pois é uma situação que há dois anos vem sendo discutida. Que se resolva essa questão", disse, após almoço promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).

Abastecimento

Graça Foster também negou que o País sofrerá com o desabastecimento de petróleo, apesar das interrupções não programadas na produção registradas nos últimos meses - que já causaram prejuízos para a Petrobras. Segundo ela, os problemas enfrentados por alguns Estados do Nordeste recentemente envolvendo a falta de combustível foram "pontuais" e ocorreram apenas por conta de falhas com algumas distribuidoras.

"Não. A Petrobras não deixará faltar combustível. Nem nós, nem a nossa distribuidora", rebateu, ao ser questionada pelos empresários sobre o tema.