Clima de incerteza na Grécia deve influenciar pregão nesta quarta-feira

Cenário de incertezas em relação à Grécia volta a preocupar investidores e cautela deve dominar pregão. Diante deste cenário, os índices europeus e o indicador futuro das bolsas norte-americanas operam em direções distintas.

“Depois da vigorosa alta observada nos mercados na segunda-feira, o rebaixamento do rating da França e a renovada preocupação com a sustentabilidade da dívida grega trouxeram os mercados de volta a um cenário de incerteza, com alguns ajustes para baixo sendo feitos nas principais bolsas no fechamento de ontem”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Enquanto isso, na Ásia, as bolsas apresentaram ganhos robustos, influenciadas pela expectativa de que novos estímulos à economia sejam propostos na China. A bolsa de Tóquio encerrou a sessão de quarta-feira em alta de 0,87%. O índice Nikkei 225 ganhou 79,88 pontos, a 9.222,52 unidades.

Entre as notícias da região, a balança comercial do Japão registrou em outubro um dos piores resultados nos últimos 30 anos, com um déficit de US$ 6,788 bilhões, provocado por uma queda das exportações em um momento de desaceleração da economia mundial, anunciou o ministério das Finanças. O déficit comercial da terceira potência econômica mundial alcançou 549 bilhões de ienes, o que representa uma alta de 94% na comparação com o mesmo mês de 2011.

Na Europa, os mercados acionários operam sem um sentido único. Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava ganhos de 0,07%, aos 3.464 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 0,01%, aos 7.171 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava baixa de 0,19% aos 5.737 pontos.

Contribuindo para a cautela dos investidores, a Eurozona fracassou na tentativa de alcançar um acordo para liberar uma parcela da ajuda à Grécia, pendente desde junho, e também não conseguiu superar as divergências com o FMI para aliviar a dívida grega, após 11 horas de intensos debates que terminaram durante a madrugada desta quarta-feira, 21. "Não conseguimos um acordo. O Eurogrupo voltará a ter uma reunião em 26 de novembro", afirmou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, ao fim da reunião com os colegas da zona do euro, na qual também estavam presentes a diretora do FMI, Christine Lagarde, e o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em direção oposta. Mas, investidores aguardam as divulgações da agenda economia da região.

“Após permanecer fechada ontem, devido ao feriado municipal, a bolsa de São Paulo deve reagir ao cenário  externo de maior aversão ao risco com um viés de baixa”, afirmou Barros.

Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, registrou queda e ficou em 0,70% na segunda prévia de novembro, ante 0,75% registrados na semana anterior.

Para Barros, no mercado de câmbio o euro perde valor frente às principais moedas, às voltas com a questão fiscal na Área do Euro, enquanto o dólar sobe frente grande parte das moedas, exceção à alguns emergentes como China e Rússia. “Esse movimento pode pressionar o real para baixo frente ao dólar”, finalizou o diretor.