Ibovespa recua diante de cenário tenso na Europa 

O principal índice acionário da BM&FBovespa, o Ibovespa, opera em queda em linha com o cenário externo, diante de um clima tenso na Europa. Dúvidas se os estímulos anunciados por governos e bancos centrais serão capazes de acelerar a economia real geram cautela nos investidores globais. Há pouco, o Ibovespa desvalorizava 0,60%, aos 60.136 pontos. O giro financeiro da bolsa marcava R$ 2.505 bilhões.

De acordo com relatório diário da Lerosa Investimentos, os principais setores beneficiados com a recente alta mostraram as piores quedas ontem, 25. Siderurgia e bancos foram os destaques com a onda de realização ontem. O clima de hoje, 26, também não ajuda. O setor bancário é o destaque de queda no mercado europeu com o foco na difícil recapitalização do setor na Espanha. Novas perdas com títulos gregos podem ser contabilizados, o que piora a situação da rentabilidade do setor. 

A esperança de que estímulos poderiam dar impulso às economias dá lugar à realidade muito mais complicada com a falta de unidade e liderança para fazer o difícil trabalho de colocar a Europa de novo nos trilhos do crescimento. A falta de perspectiva de que algo melhor aconteça ate o final do ano e, pelo contrário, o cenário de que pode ficar pior antes de melhorar, coloca os investidores em ritmo de busca por proteção. Novo dia de queda para bolsas ao redor do mundo, e particularmente, aqui dentro, os setores mais sensíveis ao mercado externo devem sentir mais a pressão vendedora.

A Europa segue no foco dos investidores com um cenário tenso. O governo espanhol apresentará na quinta-feira, 27, seu orçamento para 2013 e um novo plano de reformas, um passo que os analistas consideram a penúltima etapa antes de o país solicitar a seus sócios da Zona Euro um pedido de resgate financeiro global. A Espanha recebe um plano de ajuda europeu para os seus bancos em dificuldades desde junho e paga o preço com medidas de austeridade históricas para reduzir seu déficit público. E estas medidas adotadas pelo governo conservador em dezembro têm causado profundo descontentamento. Milhares de indignados espanhóis protestaram na noite desta terça-feira em torno do Congresso em Madri para denunciar uma democracia sequestrada e sujeita aos mercados financeiros, em um ato que terminou em violência.    

Já a Grécia enfrenta nesta quarta-feira, uma nova jornada de greve geral, um teste para o governo, contra mais um plano de austeridade exigido pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) como condição para seguir apoiando o país.

Sem uma agenda de destaque nos Estados Unidos, o Ibovespa, segue em queda no mesmo sentido que as praças acionárias mundiais. Há pouco, o índice, desvalorizava 0,60%.

Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, registrou avanços e ficou em 0,41% na terceira prévia de setembro, ante 0,35% registrados na semana anterior.

Além disso, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas avançou 0,9% entre  agosto e setembro ao passar de 104,1 para 105,0 pontos, atingindo o maior nível desde julho de 2011 e mantendo a tendência de aproximação à média histórica recente, de 105,4 pontos.

Contudo, as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego - PED mostram que, em agosto, o total de desempregados no conjunto das sete regiões onde a pesquisa é realizada foi estimado em 2.519 mil pessoas, 100 mil a mais do que no mês anterior.

Entre as oscilações positivas em destaque na sessão estão os papéis da Usiminas (ON) que avançavam 6,67% e a Usiminas (PNA) que apresentavam alta de 3,71%. Em contrapartida, entre os destaques negativos, estão os papéis da Lojas Renner (ON), que recuavam 4,78% e a B2W (PN) que apresentavam revés de 4,51%.