Bovespa reverte queda e termina dia em alta de 1,12% 

Dólar fechou o pregão em alta de 0,15%, cotado a R$ 2,04

Em dia de expectativas em relação ao discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mauro Dragghi, que deverá ocorrer nesta quinta (6), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou esta quarta-feira (5) em alta de 1,12%, aos 56.863 pontos. O dólar terminou o dia cotado a R$ 2,04, alta de 0,15%. 

Em dia fraco na agenda internacional, a bolsa brasileira acabou repercutindo o IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, divulgados hoje, que mediu a inflação para o mês de agosto e registrou variação de 0,41%, dentro do esperado pelo mercado. 

Na Europa, o principal número divulgado foi o de vendas no varejo da zona do euro, que apresentou queda de 1,7% em julho. Já o PMI (Índice de Gerentes de Compra, na sigla em inglês) composto da região, caiu para 46,3 em agosto, o que demonstra redução nas atividades dos setores de serviços e indústria de transformação. Porém, a expectativa do mercado continua em cima do possível anúncio oficial sobre o programa de dívida de países problemáticos, como Espanha e Itália, por Dragghi.

No velho continente, os índices terminaram o dia com sinais opostos. Em Londres, o Financial Times caiu 0,25%, a 5.657 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX avançou 0,46%, para 6.964 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 teve valorização de 0,20%, a 3.405 pontos.

Já nos Estados Unidos, que teve divulgado o indíce que mede a produtividade do trabalhador, teve avanço de 2,2%, enquanto os custos de mão de obra apresentaram expansão de 1,5%. Com isso, as principais ações no país fecharam perto da estabilidade. O Dow Jones fechou o pregão com leve alta de 0,09% e o S&P 500 em queda de 0,11%.

Inflação no Brasil

O IPCA, calculado pelo IBGE, apresentou variação de 0,41% em agosto, próximo à taxa registrada no mês anterior (0,43%). Com o resultado de agosto, o acumulado do ano está em 3,18%, bem abaixo dos 4,42% registrados em igual período do ano anterior. "O número veio dentro do esperado e mostra uma tendência clara a partir de agora: a inflação parou de cair e agora deve seguir trajetória de alta", acredita o economista Pedro Paulo Silveira, da TOV Corretora.

Embora alguns economistas acreditem na relação direta entre a redução da Selic (atualmente em 7,5%) e o aumento nos preços, Silveira acredita que a inflação foi influenciada por outras razões. "A correlação entre inflação e Selic não é tão clara assim, o que mais contribuiu foi o choque externo de commodities e as altas locais de Hortifruti. Acho que a partir de agora, com a recuperação da economia, os preços internacionais de commodities, o petróleo e o dólar devem passar a influenciar a alta dos preços muito mais que a Selic", opina. 

Assim como no mês anterior, dos grupos de produtos e serviços pesquisados, alimentação e bebidas foi o que apresentou o maior resultado, embora um pouco menor, passando para 0,88% em agosto após ter atingido 0,91% em julho. 

Apesar de não ver relação entre a taxa básica de juros e os preços, Silveira acredita que a pressão inflacionária impedirá o governo de realizar novas reduções. "Não acredito em uma nova queda, acho que agora este patamar será consolidado".

Para Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, o IPCA será mais pressionado no segundo semestre, com o aquecimento da economia. “De forma geral, entendemos que o IPCA mostrará comportamento mais relacionado aos meses anteriores. A partir de setembro, o repasse da alta do preço internacional dos grãos para a inflação doméstica ao consumidor deve se intensificar, ainda que a acomodação da atividade econômica ajude a manter inflação de serviços mais controlada”. 

Cenário Externo

O anúncio de pacotes de estímulo à economia, nos Estados Unidos e Europa, podem ajudar o país, já que a demanda por commodities deverá aumentar. "Há um enorme choque de oferta, com a quebra nos EUA. Se estes pacotes saírem, vão aumentar a liquidez dos mercados e os fundos irão comprar commodities", analisou Silveira. 

Com a maior liquidez no mercado, o Brasil se torna pólo de atração para os especuladores, que lucram com o diferença dos juros, afirma o economista Pedro Rossi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Apesar de estar em redução, o que acontece é que nossos juros ainda estão entre os mais altos do mundo. Então, o especulador pega dinheiro na Europa, por exemplo, que tem dinheiro sobrando e taxa de juros de 1%, ou até 0,5%, e reemprestam aqui, por 7,5%", explica. 

Silveira não acredita que a entrada massiva de dólares afete o país. "Se o cenário externo for de alta, os preços externos auxiliarão nossas exportações", analisa. Alguns economistas discordam. Para Pedro Paulo Bastos, também da Unicamp, com muitos dólares no mercado, o real acaba valorizado, aumentando o preço das exportações nacionais ao mesmo tempo em que diminui o valor dos produtos importados. 

"Isso acaba prejudicando muito a indústria, pois diminui a competitividade dos produtos. O que entra fica mais barato e o que sai mais fica mais caro", avalia. 

Com Investimentos & Notícias