Vendas no varejo e crescimento do emprego animam a economia

Os dados positivos das vendas no varejo, que aumentaram 1,5% em julho, e o crescimento em 0,37% nas contratações de mão de obra impulsionaram a bolsa de valores de São Paulo (Bovespa). O pregão fechou em alta de 2,16% e por pouco não atingiu a importante marca dos 60 mil pontos.

Os números favoráveis refletem as políticas governamentais de incentivo ao investimento: isenções tributárias; redução dos juros; e a desvalorização do câmbio, como explica o economista Paulo Gala, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP).  

"A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos foi a principal medida de estimulo tanto ao consumo quanto à produção industrial. Eu acredito muito nestas políticas governamentais que estimulam a produção, principalmente em momentos de baixo crescimento como este ano", opina. Como ele lembra, o principal problema do Brasil atualmente é a falta de investimentos.

Mesmo assim, o economista ainda não aposta em uma recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo semestre, como vem anunciando o Banco Central (BC). "Acho que o BC e a Fazenda estão exagerando. Todas esses incentivos são muito positivos, mas só terão resultado efetivo em 2013", analisa.

Ele destaca, porém, o significado destes resultados: "É importante ver que estes índices, que estavam em declínio, pararam de cair. Isso é o primeiro passo para retomada do crescimento. Mas mudança mesmo, só ano que vem", continua. 

Nesta quinta-feira (16), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ainda que aumentará o limite de endividamento dos estados, possibilitando um crescimento no investimento em infra-estrutura. A expansão anunciada chega a 42,2 bilhões de reais. A medida vêm um dia após o anúncio de novas concessões para rodovias e ferrovias, que serão administradas através de parceria público-privada, feito quarta-feira, 15, pela presidente Dilma Roussef. 

Estes anúncios movimentam toda a economia uma vez que serão necessários investimentos e obras junto as estas rodovias e ferrovias, demandando os serviços de inúmeras empresas e indústrias, como a de material de construção. Por isto, o economista Fernando Sarti, diretor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) diz que "o aumento nos investimentos por parte do governo é importante, pois anima o setor privado e cria um ciclo virtuoso de demanda por produção, emprego e consumo, beneficiando a economia", explica.

Controvérsia

Porém, nem todos os economistas aprovaram as medidas. O professor da Universidade de Brasília, José Oreiro, acredita que os investimentos públicos em obras de infra-estrutura são essenciais para a retomada do crescimento, mas contesta a forma como estão sendo feitos.  "Não acredito nestas parcerias público-privadas. Obras e infra-estrutura, como ampliação da malha rodoviária, por exemplo, têm que ser feitas totalmente com dinheiro do Tesouro Nacional, salvo algumas excessões", analisa. 

A taxa de retorno oferecida pelo governo federal para as concessionárias está muito baixa, segundo o economista, o que deve gerar um desinteresse das empresas. "O retorno de 6 ou 6,5%, é muito baixo. Não acredito que as empresas tenham interesse e, se tiverem, acho que os serviços oferecidos não serão de boa qualidade", prevê. 

Segundo ele, as privatizações que aconteceram na década de 90, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), são bons exemplos de como as concessões não devem funcionar. "Você tem casos em que funcionaram, como na estrada Rio-SP ou na Ponte Rio-Niterói. Mas são exceções, pois trata-se de locais de grande circulação de mercadorias e pessoas, de altos lucros. Digamos que é o filé-mignon das obras de infra-estrutura. Fora estes casos, a maioria dos serviços fornecidos é muito ruim", criticou.