Presidente do IBGE: dados do PIB não serão afetados pela greve

Wasmália Bivar afirmou concordar com "cerca de 80%" das reivindicações dos grevistas

A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, afirmou em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (8), que os dados que calculam o Produto Interno Bruto (PIB) do país não serão afetados pela greve dos funcionários da estatal. 

A paralisação, que já dura 1 mês e 20 dias, afetou os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referentes a junho, que ficaram sem os dados do Rio de Janeiro e, por isso, não puderam ser analisados. Mesmo assim, a presidente garantiu que os números de crescimento do país não serão afetados. 

"Nós estamos trabalhando para obtenção de todos os dados. Trabalhamos para que todas as informações fundamentais sejam divulgadas. Não acredito que episódios pontuais da greve irão comprometer a credibilidade do IBGE", disse.

Durante a reunião com os jornalistas, diversos manifestantes tentaram contato com a presidente. Uma das principais reivindicações do grupo é de que a instituição deixe de descontar as faltas no salário dos grevistas, fato que vem ocorrendo desde o início da paralisação, em 18 de Junho. "É um absurdo, tem pessoas que receberam metade do salário em junho", afirmou José Paladini, um dos organizadores dos manifestos. 

Wasmália afirmou que os descontos na folha continuarão, mas destacou que a direção do IBGE apoia "cerca de 80%" das demandas dos trabalhadores. "O salário está realmente defasado, mas não podemos nos comprometer com números exatos, como os 22% que os funcionários estão pedindo", afirmou.

Paladini contou ainda que o Ministério do Planejamento, responsável pelo órgão, "não tem se mostrado aberto ao diálogo, inclusive adiando as rodadas de negociação para data limite de fechamento do orçamento". Wasmália discorda. Ela afirma que tem visto uma "grande receptividade da ministra Miriam Belchior para as demandas do IBGE, que são muito justas", afirmou aos jornalistas.

A presidente confirmou que o orçamento de 2012 sofreu corte "de mais ou menos 28 milhões", mas garantiu que apesar disso, todos os compromissos serão cumpridos. "Liberaram uma verba nova de 15 milhões, todos os custos do IBGE serão pagos. Os salários não estão incluídos neste valor", afirmou. 

Novos concursos

Wismália contou ainda que o IBGE deverá contratar mais 1.639 pessoas nos próximos quatro anos, de níveis superior e técnico para a reposição dos funcionários em idade de aposentadoria. "Cerca de 50% estão para se aposentar, por isso a necessidade destas novas contratações". 

Além disso, a estatal pretende aumentar o tempo de contrato dos funcionários temporários, dos atuais 2 para 4 anos. "Ter um grande número de funcionários temporários faz parte da história do IBGE, pois a natureza do nosso trabalho é esta mesma. Por exemplo, imagina fazer o Censo brasileiro sem os temporários? Temos atualmente quase 7 mil funcionários, sendo cerca de 4 mil temporários, o que é normal", afirmou.