Alta nos alimentos prejudica camada mais pobre da população

INPC, que mede os preços para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, registrou alta de 0,43%

A alta de 0,91% nos alimentos, que ajudou a puxar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) para cima afeta principalmente a camada mais pobre da população. É o que mostram os dados do IBGE para o INPC, que mede a inflação para famílias com rendimento médio de 1 a 5 salários mínimos.

Nesta medição, a alimentação tem peso maior, já que compromete grande parte da renda das camadas mais baixas da população. "Os alimentos têm peso de 28,49% no índice, sendo o maior grupo na medição", afirmou Eulina Nunes da Costa, coordenadora do IBGE que divulgou as informações.

O INPC pulou de 0,26% em Junho para 0,43% no último mês. Apesar da acentuada alta, o IPCA ainda teve aumento maior, de 0,08% para 0,43%. "Isso se deve à queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, que afeta mais as camadas mais ricas, que tendem a comprar mais carros", afirma.

Dentre as principais altas nos alimentos está o preço do tomate, que pulou de 11,45% em junho para 50,33% em julho, tendo variação de preço de quase 100% em algumas cidades, como no Rio de Janeiro, onde alcançou maior elevação. "O tomate passou de uma média de R$ 2,50 por quilo para R$ 4,85 na capital fluminense. É uma variação de 94%", mostrou.

A queda para o aumento significativo do fruto, junto com a Cenoura, que saiu de 5,80% para 17,81%, foram problemas de safra, que sofreu com muitas chuvas. "Em Goiás, principal área produtora de tomate, por exemplo, tivemos muitos problemas climáticos", analisou Eulina. 

A alta nos preços internacionais do trigo, devido ao problema da safra americana, também afetou um outro importante alimento da cesta básica: o pão francês, que saiu de um aumento de 0,94% para 1,78% em Julho. O feijão-preto, tradicional no prato dos brasileiros, também apresentou aumento significativo: de 3,48% para 6,12%.

"A população de renda baixa sente mais mesmo. O peso dos alimentos de quem ganha menos é alto, de 28,49% na renda", concluiu a coordenadora.