Bolsas mundiais devem avançar nesta terça-feira

As principais bolsas de valores mundiais devem operar com ganhos impulsionadas novamente com uma possível solução da crise na Europa. Enquanto isso, as bolsas europeias operam mistas e o indicador futuro da bolsa norte-americana aponta uma abertura positiva.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta nesta terça-feira, movidas por otimismo em relação ao apoio alemão às ações do Banco Central Europeu de combate aos efeitos da crise das dívidas soberanas. Com isso, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de terça-feira em alta de 0,88%. O índice Nikkei ganhou 77,02 pontos, a 8.803,31 unidades.

Na Europa, os agentes seguem otimistas com o discurso do presidente do BCE, Mario Draghi, acreditando que uma futura intervenção econômica pode ser possível para salvar os países da Zona do Euro da crise.

“As bolsas europeias e o indicador futuro da bolsa norte-americana observam ligeira alta nesta manhã, com divulgação do resultado da produção industrial no Reino Unido menos fraco do que o esperado”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Contribuindo para a queda do FTSE e deixando os investidores cautelosos, o Office Nactional Statistics (ONS) divulgou hoje, 07, que em junho, o indicador que mede a produção industrial do Reino Unido apontou queda de 4,3% em comparação com o mesmo período de 2011.

A agenda europeia também contou com outra notícia negativa. A economia italiana afundou na recessão no segundo trimestre do ano, com uma contração de 0,7% de seu PIB em relação ao trimestre anterior, quando havia caído 0,2%, segundo a primeira estimativa divulgada nesta terça-feira, 07, pelo instituto de estatísticas Istat.

E como não era difícil de prever, os novos pedidos à indústria na Alemanha caíram 1,7% no mês de junho em comparação com o mês imediatamente anterior, segundo dados divulgados hoje, 07, pelo Ministério da Economia do país. É importante ressaltar que os números apontam uma desaceleração em um momento delicado para a região.

Ainda na região, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) emitiu dívida nesta terça-feira a três meses a juros negativos, anunciou nesta terça-feira o banco central alemão, que administra estas operações. O FEEF captou € 1,431 bilhão a um juros de -0,0217% e recebeu uma demanda de € 4,59 bilhões, três vezes mais que o captado. Vale lembrar que esta taxa negativa significa que os investidores aceitam receber uma quantidade inferior a que emprestaram ao emissor no dia do leilão.

Por outro lado, a Grécia captou nesta terça-feira € 812,5 milhões em bônus do Tesouro a seis meses, com taxas de juros em leve queda, a 4,68%, anunciou a agência grega de gestão de dívida pública (PDMA).

E para finalizar as informações da região, a ação do banco Standard Chartered registrava forte queda nesta terça-feira na Bolsa de Londres, depois que a instituição foi acusada nos Estados Unidos de ter ocultado transações com o Irã que totalizaram US$ 250 bilhões. Às 7H20 GMT (4H20 de Brasília), a ação do Standard Chartered recuava 18%, a 1.205,1 pontos.

Há pouco as bolsas europeias apresentavam movimento misto. Em Londres, o índice FTSE 100 opera com perdas de 0,04% aos 5.806 pontos, o DAX, em Frankfurt, tinha alta de 0,49% aos 6.952  pontos; e em Paris, o índice CAC-40 valorizava 0,83% aos 3.429 pontos.

Em Wall Street, os investidores devem operar de olho na Europa e também aguardam a divulgação do crédito ao consumidor de junho que deverá sair no fim da tarde desta terça-feira.

Por aqui, o Ibovespa, deverá operar na mesma direção que os índices internacionais. “Para a bolsa brasileira, esperamos alta moderada”, afirmou Barros.

Abrindo a agenda de indicadores, a indústria avançou em junho. Com isso, os índices regionais da produção industrial cresceram em sete dos 14 locais pesquisados na passagem de maio para junho, segundo dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com este cenário, o destaque ficou para a expansão mais acentuada registrada por Amazonas (5,2%), que recuperou parte da perda de 7,4% acumulada no período maio/março de 2012.

Para Barros, no mercado de câmbio, as principais moedas mundiais se valorizam em relação ao dólar. “O real deve observar estabilidade”, finalizou o diretor.