Agroindústria brasileira cai 3,9% no 1º semestre de 2012 

A agroindústria brasileira recuou 3,9% no primeiro semestre de 2012, ritmo de queda ligeiramente superior à assinalada nos seis primeiros meses de 2011 (-3,4%), e praticamente repetindo o resultado da indústria geral nos seis primeiros meses do ano (-3,8%), todas as comparações contra igual período do ano anterior. 

Os setores vinculados à agricultura (-5,9%), de maior peso na agroindústria, apresentaram desempenhos mais negativos que os setores associados à pecuária (-5,0%), enquanto os grupamentos de inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário (27,4%) e de madeira (5,9%) apontaram expansão no primeiro semestre de 2012. Em bases trimestrais, o total da agroindústria cresceu 4,2% nos três primeiros meses do ano, mas recuou 9,9% no período abril-junho, segundo o IBGE.

Embora os derivados da agricultura tenham recuado no primeiro semestre de 2012, pressionados sobretudo pelos resultados negativos dos derivados da cana-de-açúcar (-32,4%), a previsão para a safra de grãos deste ano, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é de cerca de 160,7 milhões de toneladas, resultado 0,4% superior à safra recorde de 2011 (160,1 milhões de toneladas).

Em relação ao setor externo, segundo estatística do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento elaborada com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), apesar da desaceleração econômica mundial, as exportações do agronegócio no primeiro semestre de 2012 atingiram 44,8 bilhões de dólares, aumento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2011 (US$ 43,2 bilhões), e as importações recuaram de US$ 8,4 bilhões para US$ 8,0 bilhões, queda de 4,4% no mesmo período. 

Com isso, a balança comercial do agronegócio aumentou 5,7%, ao passar de US$ 34,8 bilhões para US$ 36,8 bilhões. Conforme dados da SECEX, o volume exportado cresceu nos seguintes produtos da agroindústria: pedaços e miudezas de aves (8,9%), grãos de soja triturados (26,6%), óleo de soja em bruto (23,7%), fumo (19,6%), celulose (1,1%) e couros e peles de bovinos (3,1%). 

Por outro lado, registraram queda as exportações de açúcar (-20,3%), álcool (-31,5%), bagaços e outros resíduos da extração do óleo de soja (-1,8%), carne de aves não cortadas em pedaços (-4,3%), carnes de bovinos congeladas (-4,1%), carne de suínos congeladas (-2,3%) e suco de laranja (-9,2%).

Produtos industriais derivados da agricultura caíram 7,3%

O setor de produtos industriais derivados da agricultura recuou 7,3% no primeiro semestre do ano, apesar de somente dois produtos terem apresentado taxas negativas: cana-de-açúcar (-32,4%) e fumo (-16,9%). A principal influência negativa foi explicada pela redução na produção dos derivados da cana-de-açúcar, pressionada tanto pela queda na produção de açúcar cristal (-38,0%), como na de álcool (-28,5%). 

Os derivados da cana-de-açúcar foram impactados pela menor safra (previsão de queda de 7,4%), decorrente da redução da área plantada e da menor produtividade, em função das condições climáticas desfavoráveis (seca no período de crescimento da planta e excesso de chuva na época da colheita), que atrasaram o início da moagem e reduziram o teor de sacarose da cana-de-açúcar. 

Além disso, a menor demanda por álcool hidratado devido à vantagem em se abastecer com gasolina na maioria dos estados e à crise econômica mundial causaram a redução dos investimentos na renovação dos canaviais, provocando perda de produtividade. Houve também queda na produção de fumo, explicada especialmente pela seca que atingiu o Rio Grande do Sul, maior estado produtor, com cerca de 50% da produção nacional. As contribuições positivas vieram dos derivados da soja (5,4%) e da celulose (0,8%), impulsionados pelas exportações; trigo (6,2%) e arroz (4,1%), produtos destinados principalmente ao mercado interno; milho (0,9%) e laranja (93,0%), ainda impactada pelo processamento da safra do ano passado no primeiro trimestre de 2012.

Os produtos industriais utilizados pela agricultura cresceram 2,9% no primeiro semestre, explicados pelo aumento na produção de máquinas e equipamentos (8,0%), já que a fabricação de adubos e fertilizantes ficou praticamente estável (-0,2%) no período. Em relação ao setor externo, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), houve aumento na exportação de tratores de rodas (0,8%) e em tratores de esteiras (5,3%), enquanto a quantidade exportada de colheitadeiras recuou 32,9%.

Produtos industriais derivados da pecuária recuaram 5,2%

Os produtos industriais derivados da pecuária recuaram 5,2% nos seis primeiros meses de 2012, pressionados pelo grupamento de derivados da pecuária bovina e suína (-5,5%), influenciados sobretudo pela queda nas exportações de bovinos e suínos, principalmente para a Europa e para a Rússia, país que decretou embargo às carnes bovinas e suínas brasileiras. Resultados negativos foram observados nos grupamentos de derivados de aves (-8,2%) e de couros e peles (-3,9%). Já o subsetor de leite, produto destinado ao mercado interno, cresceu 0,6%.

O setor de produtos industriais utilizados pela pecuária apresentou queda de 4,4% no período janeiro-junho de 2012, em razão tanto da menor produção de rações e suplementos vitamínicos (-4,8%), de maior peso no grupo, como de produtos veterinários, que recuou 2,3%.