Moody’s: infraestrutura brasileira permanece estável em meio às incertezas

O setor de infraestrutura do Brasil encontra-se relativamente protegido contra as atuais condições econômicas adversas, diz Moody’s Investors Service em um novo relatório setorial “Brazilian Infrastructure Holds Steady Amid Global Economic Uncertainties”. Esse fator junto aos cortes da taxa de juros pelo Banco Central significa uma tendência de investimento positiva para o setor.

O relatório da Moody’s fornece uma visão geral sobre os perfis financeiro e de liquidez de 50 empresas classificadas pela agência de rating que operam ativos de infraestrutura no Brasil e prevê um ambiente favorável para investimentos nos próximos meses.

O universo de ratings atribuídos pela Moody’s a esse setor no Brasil engloba 32 empresas nos segmentos de distribuição, transmissão e geração de energia elétrica, 14 rodovias pedagiadas, três empresas de saneamento e uma empresa de serviço metroviário.

“Consideramos os créditos de infraestrutura como sendo defensivos para os investidores, visto que as tarifas reguladas permitem a recuperação dos custos operacionais e fornecem um retorno autorizado sobre o investimento”, diz Cristiane Spercel, vice-presidente da Moody’s e autora do relatório.

A maioria dos emissores classificados pela Moody’s — 84%— tem perspectivas estáveis, o que indica fluxos de caixa previsíveis e perfis de liquidez adequados, diz Moody’s. Além disso, mais de 70% das empresas analisadas no relatório têm posições de caixa significativas e forte geração de fluxo de caixa operacional para cobrir vencimentos de dívidas de curto prazo, de acordo com o relatório.

Moody’s observa que a tendência de queda da taxa de juros básica do Brasil (SELIC) será muito positiva para pelo menos metade das empresas presentes no relatório, incluindo Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo (Eletropaulo; Baa3/Aa1.br, estável), AES Tiete S.A. (AES Tiete, Baa3/Aa1.br, estável) e CCR S.A. (CCR, Ba1/Aa2.br, estável).

O recente corte da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) também beneficiará CPFL Energias Renováveis (CPFL Renováveis, Ba2/Aa3.br, estável), Brennand Energia S.A. (BESA, Ba3/A3.br, estável) e Companhia de Gas de São Paulo (COMGAS; Baa3/Aa1.br, estável), empresas que têm exposição significativa a essa taxa, diz Moody’s.

No entanto, Moody’s espera que os resultados de 2012 sejam menores do que o previsto inicialmente dada a desaceleração econômica no primeiro semestre. A maioria das empresas pode absorver uma redução de resultados sem comprometer seus investimentos em imobilizado, mas cortes nas distribuições de dividendos podem ser necessários para contrabalançar os níveis menores previstos de fluxos de caixa internos.