Ações da Petrobras se recuperam depois de anúncio de Graça Foster

Presidente da estatal pretende recuperar prejuízo de R$ 1,346 bilhão com aumento de preços

Depois de anunciar o maior prejuízo dos últimos 13 anos, era de se esperar que as ações da Petrobras caíssem no mercado financeiro nesta segunda-feira (6). O prejuízo de R$ 1,346 bilhão no segundo trimestre chegou a puxar o Ibovespa para baixo no começo do pregão. Mas, até o final do dia, a estatal conseguiu diminuir as perdas, depois que a presidente da empresa, Graça Foster, afirmou que pretende aumentar o preço da gasolina e do diesel.  

As ações ordinários nominativas da estatal (PETR3) fecharam o dia perto da estabilidade, cotadas a R$ 19,92, com leve queda de 0,10%. Já os papéis PETR4, preferenciais nominativos (de acionistas com participação nas reuniões), fecharam em alta de 0,15%.  

A defasagem dos preços de combustíveis cobrados pela Petrobras em relação ao mercado internacional e a desvalorização do real frente ao dólar foram os fatores apontadas pela presidente como principais motivos do prejuízo. Segundo Foster, houve também aumento da importação de gasolina e de gás natural liquefeito (GNL), para atender à demanda de usinas termelétricas.

"O prejuízo não vem só por conta da defasagem de preços [dos combustíveis]. Tivemos uma valorização bastante expressiva do câmbio e esse resultado não foi surpresa para nós", afirmou, ao citar também o registro de poços secos, além da perda de valor do estoque de petróleo e derivados fora do país. "Tudo isso é que provoca o resultado ruim de R$1,3 bilhão de perdas". Ainda de acordo com Foster, os reajustes de preços de 10% para o diesel e de 8% para a gasolina, no final de junho, não surtiram efeito no segundo trimestre, mas devem ser sentidos a partir deste terceiro trimestre.

Para o economista Julio César Insaurralde, da consultora Verax, especializada em Petróleo e Gás, alguns fatores podem prejudicar a empresa na hora de aprovar o reajuste no preço dos combustíveis: a proximidade com as eleições e o impacto inflacionário para os consumidores.

"Obviamente, a Petrobras precisa deste tipo de reajuste para equilibrar seus balanços e continuar a investir, principalmente nas plataformas de pré-sal. Só que resta saber se o ministério de Minas e Energia, que muitas vezes diverge bastante do ministério da Fazenda, conseguirá aprovar estes reajustes", opina. 

Segundo o especialista, estas perdas podem ser compensadas com o constante reajuste da taxa básica de juros da economia, a Selic. "Ainda há muito espaço para reduzir. O governo tem feito isenções tarifárias em diversos segmentos do país, como os produtos de linha branca e os veículos. Só que não dá mais para fazer isso, é preciso estimular de outra forma, e a Selic seria ideal para isso", analisa.

A presidente assegurou "de forma sistemática” que tem falado do problema com o Conselho de Administração da empresa. "Conversamos sobre o reajuste de preços, sim, na busca de 100% da paridade", afirmou à Graça Foster à imprensa, após a apresentação dos resultados. "Tenho que acreditar sempre que haverá reajustes e demonstrar com fatos e dados que, periodicamente - não instantaneamente, porque a política é de médio e longo prazo, (há necessidade de) - façamos correções.