Entramos em um novo período da história, diz Chávez sobre Mercosul 

Brasília - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, saudou nesta terça-feira a entrada de sua nação no Mercosul como a inauguração de um novo momento da história da América Latina. "Tenho a certeza de que, a partir de hoje, entramos em um novo período de aceleração da história que estamos construindo", disse o mandatário durante pronunciamento em Brasília, onde os líderes dos membros ativos do bloco econômico sul-americano estão reunidos para formalizar a adesão plena do novo membro.

"Os acontecimentos futuros serão superiores aos que presenciamos na última década. (...) Não diz a Bíblia: 'tudo o que vai acontecer sob o sol terá sua hora'. Tinha de ser", avaliou Chávez, exaltando o que considera serem o ganho e a necessidade histórica da entrada da Venezuela no Mercosul. "O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul tem alguma similaridade com aquele dia no qual este povo do Brasil elegeu a Luiz Inácio Lula da Silva", disse, lembrando a chegada do ex-presidente do Partido dos Trabalhadores à presidência brasileira nas eleições de 2002.

Chávez também exaltou a situação democrática da Venezuela, que tem no outubro próximo eleições presidenciais, nas quais o presidente tentará seu quarto mandato. "A Venezuela hoje, apesar de seguirem nos taxando de ditadura, há um processo democrático que amadureceu bastante", disse. "É tão positivo o ingresso da Venezuela no Mercosul, apesar do que uma corrente na Venezuela que criticava. É o mesmo grupo que apoiava a entrada da Venezuela na Alca. (...)"Começamos a nos situar na nossa exata dimensão geopolítica".

Recém-ingresso no bloco, Chávez apresentou grandes projetos de investimentos venezuelanos que, segundo ele, são projetos projetos do Mercosul. Ele citou, por exemplo "o maior projeto petroleiro", referindo-se à Faixa do Urinoco, com extração prevista para 2019 da ordem de 6 milhões de barris diários.

"Estamos agora situados como membro plenos do Mercosul em nossa exata perspectiva histórica", comemorou Chávez. "É a maior oportunidade histórica que em 200 anos nos apresenta no horizonte", resumiu.

A entrada da Venezuela se dá no contexto de suspensão do Paraguai do Mercosul. Apenas Assunção não havia dado o aval para o país de Chávez compor o bloco como sócio pleno. A suspensão paraguaia aplicada após um impeachment relâmpago que destituiu Fernando Lugo do poder foi providencial para atender as aspirações de Caracas. A decisão de incluir a Venezuela na união aduaneira aconteceu na última cúpula do Mercosul em reunião de nível presidencial.

Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul receberá um importante acréscimo em seu Produto Interno Bruto (PIB), que passará agora para US$ 3,3 trilhões, além de aumento populacional e territorial. Ontem, após jantar com a presidente Dilma Rousseff, Chávez disse que "esperou muito por esse momento (da adesão)".

Antes da reunião, os chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela acertaram os termos para adesão do país de Chávez ao bloco. Dentre as ações mais importantes estão a fixação de Tarifa Externa Comum e a eliminação de tributos de importação entre os demais membros plenos do bloco.