Bruta, mas não rústica, nova Ranger leva tecnologia ao campo

Bruta, mas não rústica. Assim se define a nova Ford Ranger. Desenvolvida especialmente para os percalços das estradas, a nova picape conta com uma ampla gama de tecnologia para quem gosta de andar confortavelmente na cidade, mas também fornece a força para quem necessita no campo. Com as mais variáveis condições, a cidade de Salta, no noroeste da Argentina, deu o amibente ideal para o teste, com o asfalto liso da cidade se contrapondo aos pedregulhos, a areia das montanhas e a água dos rios.

O novo motor de 3.2 l movia a diesel, com cinco cilindros, gera uma potência de 200 cavalos e responde bem no percurso no asfalto. As rodas de 17 polegadas dão estabilidade na hora das curvas, auxiliadas pelo controle de estabilidade nas quatro rodas (ESP), que se contrapõe a leveza da carroceria sem carga. O câmbio leve, de seis marchas, traz suavidade à direção.

O painel próximo ao toque das mãos do motorista faz com que o trabalho de ligar o ar condicionado digital seja simples. Ar que refresca o calor que faz na tarde de Salta - região árida onde tem altas temperaturas no dia e baixas à noite. O som e o GPS ajudam em longas viagens, assim como os confortáveis bancos em couro, o espaço interno no porta-luvas e para as pernas dos passageiros nos assentos da parte de trás da cabine dupla.

Já o sensor de estacionamento e a câmera de ré em uma boa resolução auxiliam o motorista em balizas. Dentro da cabine, apenas o console central refrigerado deixa a desejar, com um acabamento médio e não condizente com o restante do carro. Todas estas características fazem da Ranger um bom veículo para grandes cidades ou longas viagens. Mas com a Ford de olho no público interiorano, o que esperar deste carro ao passar por buracos, enfrentar subidas e descidas íngremes e atravessar riachos? É ai que a parte bruta do modelo se revela.

Na estrada de terra, onde os pedregulhos e a poeira teimam em se destacar, a Ranger se demonstra segura nas curvas, rápida nas acelerações e forte quando precisa da tração 4x4. O câmbio pouco vibra e a suspensão faz um bom trabalho ao tentar diminuir os solavancos dos ocupantes. A direção hidráulica também não fica comprometida com a trepidação. Os ruídos do motor não chegam a incomodar quem está dentro do carro sem a intenção de ouvir esta sinfonia.

Em situações extremas, a tração 4x4 reduzida, que se ativa com o giro de botão do console, faz a diferença. Na travessia de um riacho, no qual a água chega próximo ao limite dos pneus, o modelo não se intimidou e, em primeira marcha, passou pela água com maestria. Em subidas e descidas das montanhas de Salta, duas das funções do ESP se destacaram. Em uma descida íngreme, o controle automático faz com que o condutor não precise nem acelerar ou frear, basta acioná-lo que o sistema não deixa que o carro "escorregue" ou despenque. Já em subida na terra, a função de partida em rampa impede a perda de tração, fazendo com que a picape suba sem "derrapar".

Com esses atributos, essencial para quem trabalha no campo, aliados aoconforto para quem utiliza na cidade, a Ranger poderá se tornar uma forte concorrente para a Chevrolet S10, líder de mercado no segmento, que também conta com a Mitsubishi L200, Volkswagen Amarok, Toyota Hilux e Nissan Frontier. Melhor para o mercado brasileiro, que recebe mais uma picape média.