Vendas no varejo têm maior queda desde novembro de 2008

A crise econômica mundial, que já reduziu as expectativas de crescimento do PIB e afeta fortemente a indústria brasileira, começa a repercutir também nas vendas no varejo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (11), o índice registrou variação negativa de 0,8% em maio na comparação com abril. É a maior queda desde novembro de 2008. 

Apesar de destacar que o recuo é "apenas um ponto", o técnico do IBGE, Reinaldo Pereira, afirma que os resultados podem ser reflexo da atual conjuntura econômica. O índice era um dos poucos aspectos da economia nacional que ainda não havia registrado qualquer influência da crise econômica. 

O número reverte o sinal positivo dos últimos dois meses. Apesar da queda, as vendas ainda acumulam alta de 8,2% em variação com o mesmo mês de 2011. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 9%. "A comparação com maio do ano passado é mais certa, pois de mês a mês há muita sazonalidade, que varia muito", informou.

Endividamento

Dados do Serasa Experian também divulgados nesta quarta apontam aumento do endividamento das famílias em 19,1% em relação ao mesmo mês de 2011. Pereira acredita que este endividamento pode ter afetado o índice de vendas do varejo. 

"O governo tem feito apelo ao consumo, como em 2008, para enfrentar a crise. Porém, desta vez, não deve funcionar, já que as pessoas não vão pegar crédito nem fazer dívidas antes de pagar seus empréstimos", acredita. 

Destaques

O setor de maior destaque nas vendas foi o de "Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação", que registrou variação positiva de 3,5% em relação ao mês anterior. Do lado negativo, o item "Material de Construção", que teve forte queda de 11,3%. "Não sabemos ainda o porquê desta variação tão grande, mas acreditamos que seja também consequência desta conjuntura atual, de crise e desaceleração", disse.

Na comparação com o abril, dos 13 itens analisados, sete tiveram valor negativo. No entanto, na variação de um ano, todos os índices apresentam índice positivo. "Este dado de comparação anual mostra melhor a situação macroeconômica, que ainda é positiva", analisou.

No quesito Comércio Varejista, todas as 27 unidades da Federação apresentaram resultados positivos na comparação com maio de 2011. As principais altas foram em Roraima (24%) e Amapá (15%). Em relação ao Varejo Ampliado, os destaques ficaram com Roraima (18,9%) e Piauí (13,4%).