Cúpula da UE começa em Bruxelas com países divididos

Começa nesta quinta-feira, em Bruxelas, a Cúpula da União Europeia, que tentará traçar medidas para tirar a região da crise econômica. No entanto, Alemanha, França e Itália estão abertamente divididas sobre colocar as prioridades nos problemas fundamentais de longo prazo do bloco antes de fazer pedidos por ações de emergência.

O presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se encontraram ontem em Paris em uma tentativa de unificar seus discursos antes da cúpula. Ambos concordaram que é preciso encontrar maneiras de fortalecer a união monetária e econômica no bloco e que os membros dessa união precisam estar preparados para ajudar uns aos outros. 

"A situação na Europa é séria. Nós precisamos construir a Europa de amanhã, forte e estável", comentou Merkel. "Nós precisamos de mais Europa. Uma Europa que funcione da maneira que os mercados querem. Uma Europa na qual os membros da união ajudem uns aos outros". 

Hollande também destacou a importância de se aprovar progressos significativos na cúpula que começa hoje. Ele deu mais ênfase à questão da solidariedade, embora tenha reconhecido que existe uma necessidade de maior integração, o que sugere um controle mais centralizado sobre as políticas nacionais. 

Já Merkel disse esperar que o pacote de estímulo ao crescimento da Grécia de até 130 bilhões de euros, anunciado na semana passada, seja aprovado no encontro desta semana. "Nós dois queremos aprofundar a união econômica e monetária, e posteriormente a união política, para obtermos solidariedade. Defendemos tanta integração quanto necessário, tanta solidariedade quanto possível", afirmou o presidente francês. 

A chanceler Angela Merkel não cedeu terreno em sua posição de combater a crescente crise de dívida da zona do euro por meio de uma ampla reforma orçamentária e política, rejeitando pedidos por grandes investimentos públicos para estimular o crescimento econômico.