PIB dificilmente irá crescer 4,5% em 2012, admite Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira que dificilmente a economia brasileira vai conseguir crescer os 4,5% previstos pelo governo. Em audiência no Senado para falar sobre as nova regras da poupança, Mantega deu um panorama da crise internacional e falou sobre como ela está atingindo o Brasil. No relatório apresentado, o Ministério prevê uma alta de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante previsão anterior de 4,5%.
"Estamos diante do agravamento da crise internacional. Isto exige esforços redobrados para mantermos a taxa de crescimento aos patamares desejados. Com o encolhimento desses mercados (Estados Unidos e Europa), os emergentes passam a sentir uma redução (de crescimento) e se instaura, em nível mundial, uma certa instabilidade e aversão ao risco. Nas previsões (de crescimento), essa redução deve chegar a ponto percentual", disse o ministro.
Tentando justificar a redução na previsão de crescimento para até 3,5%, Mantega falou que outros países emergentes, como China e Índia, também vão registrar uma queda em sua previsões. "A China, que teve um crescimento de 9,2% em 2011, terá um crescimento em torno de 7,5% em 2012. A Índia também. Felizmente, o Brasil figura entre os países que tem possibilidade maior de crescimento em 2012 que em 2011", afirmou o ministro.
No ano passado, o Brasil cresceu 2,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Na semana passada, o governo manteve a previsão de crescimento da economia em 4,5% em relatório divulgado pelo Ministério do Planejamento. A previsão é que a economia deve acelerar "de forma mais intensa" nos próximos trimestres, como resultado da redução na taxa básica de juros, da elevação da oferta de crédito pelos bancos públicos e das medidas de competitividade anunciadas recentemente, segundo o relatório do governo.
No mercado financeiro, no entanto, a visão é diferente. De acordo com relatório Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 3,09%, ante 3,20% no relatório da semana passada. Ainda assim, Mantega afirmou que o governo está trabalhando para alcançar os resultados previstos.
"O Brasil está preparado para enfrentar o agravamento dessa crise, até mais que em 2008, quando tivemos pleno sucesso naquilo que talvez foi a maior crise da economia mundial nos últimos 80 anos. Dessa vez temos quase o dobro das reversas, mais de US$ 370 bilhões, uma situação fiscal mais sólida, nossa dívida diminuiu, estamos colocando mais recursos e mais crédito na economia", enumerou o ministro.
Ontem, o governo Mantega anunciou uma série de medidas para incentivar a indústria automobilística. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre automóveis e utilitários vai ser reduzido, assim como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para crédito a pessoas físicas.
