Ibovespa opera oposta ao cenário mundial e retrai

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O mercado nacional operou em sentido oposto ao das bolsas mundiais e encerrou com forte desvalorização, motivada por queda de commodities e saída de investimento estrangeiro. Neste contexto, o principal índice acionário recuou 2,74%, aos 55.038 pontos nesta terça-feira. O giro financeiro da bolsa terminou em R$ 7.449 bilhões.

De acordo com Miguel Daoud, analista da Global Financial Advisor, a interferência do governo na economia está afastando os investidores estrangeiros, que não veem decisões efetivas para o crescimento da economia no Brasil. Outro motivo para a forte queda, foi a desvalorização das commodities, que representam boa parte das ações que são negociadas no pregão nacional.

O mundo ainda está voltado para a Europa. Amanhã, líderes da União Europeia irão se reunir em Bruxelas para discutir uma agenda de crescimento, e ainda há a possibilidade da saída da Grécia do euro e está em pauta o desgaste dos bancos espanhóis.

Neste contexto, o Ministro das Finanças da França afirmou que o país está disposto a lançar uma discussão sobre Eurobonds no encontro. Mas durante a terça-feira o assunto foi rejeitado por vários membros líderes da coligação governamental de Berlim, sendo que alguns deles ressaltaram que esta possibilidade de emissão de títulos europeus foi completamente proibida pela Constituição alemã.

A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou que a Eurozona permanece paralisada, com um Produto Interno Bruto (PIB) que registrará uma leve contração de 0,1% em 2012, sinalizando risco para a economia mundial.

Enquanto isso, o Banco Central da Alemanha (Bundesbank) anunciou que emitirá amanhã, bônus por cinco bilhões de euros há dois anos com taxa de juros de O%. Desde o início da crise do euro, a Alemanha disponibiliza títulos com um rendimento muito frágil, enquanto outros membros da Eurozona devem pagar altas taxas de juros.

Em meio aos leilões de títulos, o Tesouro espanhol emitiu € 2,526 bilhões em títulos da dívida a três e seis meses, superando o máximo previsto, mas com juros em alta em um momento em que o setor bancário do país, fragilizado pelos ativos imobiliários duvidosos, continua preocupando os mercados.

Na agenda do Velho Continente foi apresentado o Índice dos Preços ao Consumidor (IPC) de Reino Unido, que subiu 0,6% em abril, se comparado com o mês anterior. Os dados foram divulgados hoje pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS).

No mesmo sentido, a confiança do consumidor na zona do euro registrou melhora, chegando a -19,3 pontos em maio, contra -19,9 pontos observados no mês imediatamente anterior, de acordo com informações divulgadas hoje pela Comissão Europeia.

Em Wall Street, a agenda trouxe um dado positivo, mas o mercado do país foi pautado pelo cenário europeu. A venda de imóveis existentes (existing home sales) no ambiente norte-americano registrou alta de 3,4% no mês de abril, chegando a 4,62 milhões de unidades comercializadas, de acordo com dados divulgados hoje pelo National Association of Realtors, o NAR.

Por aqui, o clima é de negativo com a saída de investimento estrangeiro, o que levou o Ibovespa a uma queda de 2,74%.

Na agenda brasileira, destaque para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) que teve variação de 0,51% em maio, superior à taxa de 0,43% de abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os indicadores do dia, o Serasa Experian publicou que a quantidade de empresas que procurou crédito em abril/12 cresceu 2,1% em relação ao mesmo mês do ano passado (abr/11).

Entre as oscilações positivas em destaque na sessão estão os papéis da SABESP(ON), que avançaram 1,96% e TRAN PAULIST (PN) que apresentaram alta de 1,71%. Em contrapartida, entre os destaques negativos, estão os papéis da PDG REALT(ON), que recuaram 11,34% e GAFISA (ON) que apresentaram revés de 9,90%.