Nobel de economia diverge de Dilma: "não existe tsunami monetário" 

O Brasil se equivoca ao se queixar dos países ricos pelas dificuldades que enfrenta, disse o prêmio Nobel de Economia de 2008, o americano Paul Krugman, que concedeu entrevista para o Jornal da Globo durante passagem por São Paulo nesta quarta-feira. 

"O problema não é a expansão monetária americana, o que temos é uma economia em depressão, na qual os juros têm que ficar próximos de zero. Muita gente aproveita a diferença em relação aos juros brasileiros, mas isso não é culpa do Banco Central americano. É muito natural que se busque uma resposta fácil", argumenta Krugman, que rebateu as declarações da presidente brasileira Dilma Rousseff de que os Estados Unidos promovem um "tsunami monetário".

Apesar da crítica, Krugman se declarou encorajado com a economia brasileira, que mostrou progressos no combate à pobreza e mostra mais estabilidade que outras nações emergentes. O mesmo otimismo não se repete quando o assunto é a recuperação da economia americana: "tenho um otimismo moderado. O mercado de trabalho vai voltar ao normal em 4 ou 5 anos, caso Obama vença as eleições. Se ele perder, teremos políticas irracionais", declarou. 

O economista ainda mostrou preocupação quanto à Europa, onde, segundo ele, a crise deve se agravar, e com a China, que "se diz socialista, mas, na verdade, é um sistema capitalista corrupto no qual não se pode confiar".