Bovespa fecha com sétima queda consecutiva e dólar tem leve alta

Em dia de oscilação, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão desta quarta-feira (11) em queda de 0,72%, aos 61.293 pontos, após dados negativos do cenário externo. O volume de negócios foi de R$ 7,15 bilhões. Trata-se da sétima sessão de perdas consecutiva da bolsa. O dólar teve leve alta de 0,09%, a R$ 1,8346, ficando no maior patamar desde o dia 9 de janeiro. O Banco Central voltou a realizar leilão de compra da moeda norte-americana no mercado à vista.

A bolsa iniciou o dia em alta, mas variou sua trajetória após o anúncio do Livro Bege do Banco Central norte-americano (Fed), que faz um relatório da economia do país. Os temores  do mercado fizeram com que o sinal do Ibovespa se invertesse. Aliado a isso, os dados do cenário europeu também influenciaram o resultado.

Segundo o João Pedro Malaquias, operador da Corval Corretora, é nítida a saída de capital estrangeiro no mês de abril nas operações do mercado financeiro. Ele atenta que a bolsa passou por um momento de euforia, chegando ao patamar de 69 mil pontos, mas, após realização de lucros, viu os excedentes do ano recuarem rapidamente.

“O saldo de capital estrangeiro no ano está bem reduzido. A alta da bolsa no ano já chegou a quase 21% e agora está por volta de 8%”, disse Malaquias. “O mercado está precisando de uma reversão e as configurações macroeconômicas não têm ajudado na confiança do investidor externo. Os papéis estão perdendo pontos importantes. A situação é preocupante.”

Mercado

Nesta quarta, os setores que tiveram maiores perdas foram o imobiliário e o de consumo. A PDG Realt registrou a segunda maior queda do Ibovespa ao despecar 5,27%, fechando a R$ 5,03. A Cyrela e a Gafisa também tiveram quedas no dia de 2,10% e 1,24%, encerrando a R$ 15,81 e R$ 3,98 respectivamente.

Vale, Petrobras e OGX Petróleo, principais ativos que compõem o índice, apresentaram altas. As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras avançaram 0,75% e 0,85%, a R$ 21,35 e R$ 22,35. Contudo, Malaquias recorda que no dia 15 de março esses ativos estavam próximos dos R$ 25, tendo batido no pregão de terça-feira (10) a mínima de R$ 21,01, uma queda de 16%, e não há sinais de reversão desse quadro.  

Na Vale, o dia foi de operação perto da estabilidade. As ações PNA tiveram valorização de 0,07%, a R$ 40,35, e as ON fecharam estáveis, a R$ 41,24. Já a OGX Petróleo, após ter caído mais de 7% no pregão anterior, fechou o dia com alta de 0,98%, a R$ 13,29.

A Usiminas se destacou na ponta negativa da bolsa, com perdas de 7,24, encerrando a R$ 17,85. A JBS S.A. também teve perdas expressivas de 5,10%, a R$ 7,07. Completaram as cincos maiores quedas do dia a Dasa, que recuou 4,41%, a R$ 14,06, e a Marfrig, com perdas de 4,40%, a R$ 11,29.

Por outro lado, a Embraer teve alta de 3,46%, a R$ 15,83, acompanhada da Ambev, de 2,81%, a R$ 77,30, e do Banco do Brasil, que encerrou a sessão com valorização de 1,48%, a R$ 24,59, após ter registrado perdas por conta do anúncio do governo da redução das taxas de juro e aumento da oferta de crédito na semana passada.

Bancos

No setor bancário, o clima é de apreensão por conta das recentes medidas do governo nos bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil). A cúpula econômica do governo quer que os bancos privados reduzam o spread (diferença entre a taxa de juros de captação pelo banco e a taxa praticada para o crédito). Malaquias destaca que na terça houve um reunião com os principais bancos privados e uma associação dos médios e pequenos bancos para solucionar a questão. Os ativos PN e ON do Bradesco tiveram altas de 0,56% e 0,34%, a R$ 30,66 e R$ 26,00, enquanto as ações ordinárias do Itau Unibanco recuaram 0,53%, a R$ 28,00.

“Acredito que eles (bancos privados) ainda têm um grande spread para reduzir, mas a negociação é difícil. Mesmo com o lucro do setor, isso é complicado”, disse o operador. “Eles vão fazer reivindicações. Na próxima semana deve ter algum parecer do governo sobre a questão. No mercado, os bancos sentiram bastante na semana passada.” 

Cenário Externo

Nos Estados Unidos, as atenções se voltaram para a divulgação do Livro Bege do Fed sobre a atual situação econômica do país. Segundo o relatório, os EUA saíram de um crescimento modesto para moderado em março. No entanto, os principais setores e geradores de emprego demorarão a se recuperar. A preocupação apontada pelo relatório é com o aumento do preço de petróleo, que pode elevar preços de combustíveis e limitar gastos das famílias.

Na segunda-feira (9), o presidente do FED , Ben Bernanke,  afirmou que a economia americana pode demorar de 3 a 4 anos para retornar aos níveis pré-crise. Segundo Malaquias, o mercado, por sua vez, se inquieta com a indicação de que o Fed não fará uma terceira rodada de injeção de liquidez no mercado. O setor bancário liderou os ganhos do pregão.  

Assim, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,70% a 12.805 pontos. O Nasdaq Composite, que concentra ações de tecnologia, finalizou o dia em valorização de 0,84%, aos 3.016 pontos, e o S&P 500, que agrega as 500 principais empresas dos EUA, teve alta de 0,74%, aos 1.369 pontos.

Espanha e Itália

Na Europa, os principais índices encerraram o dia com valorização, após sucessivas perdas recentes. A tendência foi impulsionada pelas instituições financeiras, após o yields dos títulos públicos da Itália e da Espanha terem recuado diante da especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá retomar o programa de compra de títulos soberanos para aliviar os juros da dívida.

A Alemanha emitiu dívida a 10 anos a taxas historicamente baixas, de 1,77%, mas a oferta teve pouco interesse dos investidores. Com isso, o Bundesbank anunciou que colocou 3,87 bilhões de euros em bônus com vencimento em julho de 2022.

Em destaque do dia, uma equipe de análise do HSBC elevou para overweight a recomendação dos bancos europeus, o que não acontecia há quatro anos. Por isso, papéis do Deutsche Bank subiram 2,33% na bolsa alemã, enquanto os ativos do Barclays ganharam 3,01% na bolsa inglesa. Em Milão, as ações do UniCredit e do Intesa Sanpaolo valorizaram-se 5,46% e 5,45%, respectivamente.  

Por fim, grandes empresas do continente apresentaram balanços positivos nesta quarta (11). A Alcoa obteve, no primeiro trimestre de 2012, um lucro líquido de US$ 94 milhões, comparado a um prejuízo líquido de US$ 191 milhões, no quarto trimestre de 2011.

O índice FTSE 100  da bolsa de Londres apresentou valorização de 0,70% a 5.635 pontos, enquanto o CAC 40  da bolsa de Paris fechou em alta de 0,62% atingindo 3.238 pontos. A Bolsa de Frankfurt apresentou ganhos de 1,03%, atingindo 6.675 pontos. 

PIB chinês

O mercado também deve ficar atento aos movientos da China, que divulgam na quinta-feira (12) o resultado do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre de 2012. Na semana, o indicador é muito esperado, até porque o mercado antecipou bastante a desaceleração da economia do país asiático. Analistas de mercado apontam ampliação de 8,2% no PIB chinês, enquanto a meta do governo é de 7,5%. 

Segundo Malaquias, na Bovespa, qualquer notícia vinda da China abala bastante o mercado nacional, especialemente a Vale, um dos principais ativos que compõem o Ibovespa. 

Apuração: Luciano Pádua