Banco Central teve visão aguçada para a inflação, afirma economista 

O aumento discreto no índice de inflação medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que neste mês de março registrou alta de 0,21%, prova que as políticas do Banco Central em relação a taxa de juros estão corretas, afirma o economista Fernando Sarti, diretor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para o especialista, o aumento dos preços estava conectado muito mais ao valor das commodities, que vinham crescendo desde 2002, do que a um possível aumento na demanda interna por consumo. Sarti acredita que o Banco Central conseguiu prever esta tendência melhor que o mercado financeiro em geral.

“A desaceleração econômica brasileira e mundial contribuiu para uma redução na demanda por commodities e no consumo, o que acabou influenciando muito o índice”, afirmou. 

O esperado pelo mercado, de acordo com o boletim Focus, era de um aumento mínimo de 0,30%. Estas expectativas mais elevadas pressionavam o Banco Central a reduzir a taxa de juros de maneira mais tímida.

No entanto, a postura agressiva do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu para 9,75% a taxa básica de juros, mostrou que o BC estava atento às tendências internacionais de preço, afirma Sarti.

“A redução da taxa básica de juros é importante para diminuir a atratividade na entrada de dólar, que tem chegado em grandes quantidades devido à liquidez do mercado internacional”, explica. 

Esta entrada massiva reduz a competitividades dos produtos brasileiros, dentro e fora do país, diz Sarti. Para evitar uma desaceleração das indústrias nacionais, o governo tem, além de reduzir a taxa de juros e de câmbio, anunciado medidas diárias para proteger o setor.

Na última terça-feira, 2, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma série de medidas, que fazem parte do projeto “Brasil Maior”, que pretende proteger e exonerar de diversos impostos os produtores brasileiros. 

“As medidas foram emergenciais, medidas para defender mais o comércio, voltar a acelerar um pouco mais a demanda para aumentar e incentivar o investimento. Os recursos adicionais aos bancos públicos, a redução de juros para fomentar o consumo, o investimento e a demanda são necessário e agora, sem a ameaça da inflação”, concluiu. 

Apuração: Carolina Mazzi