Bovespa fecha em alta após três pregões consecutivos de perdas e dólar cai

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuperou, em parte, nesta quinta-feira (5) as perdas dos três últimos pregões. O Ibovespa, principal índice da bolsa, terminou a sessão com valorização de 0,26%, aos 63.691 pontos. Na semana, o índice teve recuo de 1,27%. O volume de negócios foi de R$ 6,047 bilhões. O dólar teve queda 0,19%, a R$ 1,8247, tendo assim baixa de 0,39% na semana, a primeira desvalorização semanal após quatro semanas sucessivas de alta.

Segundo o superintendente Alfredo Sequeira do Banco Fator Corretora, o mercado abriu o dia com pessimismo por conta dos números da economia europeia. Nos Estados Unidos, os dados sobre o desemprego saíram acima das projeções dos especialistas, animando o mercado.

No cenário nacional, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que teve resultado satisfatório e apontou inflação de 0,21%. Isso deve permitir queda dos juros bancários para um patamar menos do que os 9% esperados para o próximo corte. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) marcou taxa de 0,18% no mês e a poupança captou R$ 2,54 bilhões em março. 

Sequeira ponderou que o nível do IPCA foi o menor desde julho de 2011 e afirmou que isso animou os investidores. Ainda, contou que o mercado nesta quinta-feira buscou não se posicionar quanto às compras e às vendas por conta do feriado da Semana Santa. 

“O IPCA veio um pouco abaixo do esperado, e foi o menor nível desde julho do ano passado. Por isso, o mercado se animou e as expectativas da taxa de juros cair mais do que 9% aumentaram”, apontou Sequeira. “A alta da bolsa durante o dia perdeu um pouco de força por conta do feriado.”

O superintendente analisa que a Bovespa teve um crescimento acelerado no início do ano e é natural o declínio que vem sendo registrado nas últimas três semanas. 

“A bolsa subiu muito rápido no início do ano, então é natural essa redução de lucros.”, diz. “Mas vale lembrar que a Bovespa tem 12,22% de alta no ano, enquanto a bolsa de Nova York tem cerca de 6%.”

Mercado

No mercado, o dia foi marcado pelo destaque positivo para as ações das construtoras, impulsionadas pelos rumores de uma redução maior da taxa de juros. O papéis da MRV Engenharia tiveram alta de 3,72%, a R$ 13,67, as ações da Construtora Rossi avançaram 2,84%, a R$ 10,15, os ativos da Cyrela aumentaram 1,82%, a R$ 17,30.

As ações da Petrobras tiveram bom desempenho. Os papéis ordinários e preferenciais da petrolífera subiram 1,10% e 0,30%, a R$ 22,00 e R$ 23,06, respectivamente. Na Vale, as preferenciais avançaram 0,10%, a R$ 41,12, enquanto as ordinárias caíram 0,26%, a R$ 42,06. 

A OGX Petróleo recuperou as perdas recentes, com valorização de 3,46%, a R$ 14,64. A Telemar teve alta de 2,89%, a R$ 27,75, em meio à reestruturação do Grupo OI.  Por outro lado, a Gafisa e a PDG Realt tiveram quedas de 2,59% e 4,35%, a R$ 4,13 e R$ 5,93.

O setor bancário também teve desvalorização ainda repercutindo o anúncio de que o Banco do Brasil reduzirá as taxas de juros e injetará R$ 43,1 bilhões adicionais de crédito. As ações da Bradesco caíram 0,65%, a R$ 30,70, as do Itaú Unibanco recuaram 2,02%, a R$ 33,00 e as do Santader tiveram queda de 3,59%, a R$ 15,86. Os ativos do Banco do Brasil desvalorizaram 0,29%, a R$ 24,13, após terem caído 5,91% no pregão anterior.   

Cenário externo

Nos Estados Unidos, os principais índices fecharam com sinais opostos, mas registraram a pior semana do ano. Os dados desfavoráveis do mercado de trabalho, conjuntamente ao noticiário europeu, fizeram com que o volume de negociações fosse fraco. O número de pedidos de seguro-desemprego caiu em 6 mil, para 357 mil, foi melhor do que o esperado por analistas, e puxou os índices para cima. 

Assim, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em alta de 0,40%, aos 3.081 pontos. Já o S&P 500, que agrega as 500 principais empresas dos EUA, encerrou a sessão estável, atingindo 1.399 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 0,12%, aos 3.081 pontos. 

Na Europa, as atenções ficaram voltadas para a Espanha, cuja taxa de retorno ao investidor dos títulos do Tesouro com prazo de 10 anos subiu para 5,338%, o maior desde dezembro do ano passado. O resultado fraco do leilão de bônus do país demonstra o ceticismo do mercado quanto à eficiência da reestruturação orçamentária do governo espanhol. 

Apesar disso,  o índice Ibex, da bolsa de Madri, fechou estável, em 7.660,50 pontos.  No acumulado da semana, o ele caiu 4,3% e já recuou 10,6% desde o início de 2012. O Dax, de Frankfurt, recuou 0,13%, aos 6.775,26 pontos. O resultado foi afetado pela queda da produção industrial do país, que teve retração de 1,3% em fevereiro, de acordo com o Ministério da Economia. Em Londres, o FTSE 100 terminou em alta de 0,35%, aos 5.723,67 pontos. 

Apuração: Luciano Pádua