Ministro espera mudanças na OMC e nega mudança na poupança

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta terça-feira mudanças na Organização Mundial do Comércio (OMC) para incluir novas formas de proteção cambial nas medidas que devem ser combatidas pelo órgão. Segundo Mantega, os países que antes adotavam subsídios para tornar seus produtos mais atraentes no mercado mundial, agora usam a desvalorização de suas próprias moedas.

"A OMC está desatualizada, não percebeu essa mudança nos países. No passado se usava mais subsídios diretos e é o que a OMC procura fiscalizar, mas já estão fazendo hoje um grande 'subsídio cambial' quando desvaloriza sua moeda em 20%, 30%", disse.

Ao desvalorizar a própria moeda, como faz a China, por exemplo, os produtos daquele país se tornam mais baratos no mercado internacional. "Devemos trabalhar, temos um bom representante na OMC e se conseguirmos fazer a OMC ver isso, será uma grande vitória, mas não será fácil. Temos que criar na OMC essa figura do 'dumping cambial', de modo que o Brasil possa ser preservado. De certa forma, estamos fazendo uma intervenção cambial aceita no mundo todo", afirmou.

Mantega se refere às recentes medidas adotadas pelo governo brasileiro como forma de subir a cotação do real perante o dólar. Em duas semanas, o Ministério da Fazenda fez duas intervenções na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos de curto prazo, na tentativa de desvalorizar o real. 

Ministro nega mudança na rentabilidade da poupança

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a negar nesta terça-feira que o governo estuda mudanças na rentabilidade da poupança. A especulação acontece toda vez que a taxa básica de juros (Selic) fica inferior a dois dígitos. Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) baixou a taxa básica de juros brasileira para 9,75% ao ano. Quando a taxa de juros está em patamares mais baixos, a poupança pode se tornar mais atraente e retirar recursos de outras formas de investimento."Não há nada a declarar sobre a poupança, ela é muito importante para o País e, por enquanto, com as taxas de juros praticadas continua se viabilizando as aplicações em outros mercados. Por isso não se cogita neste momento alteração na poupança", disse.