Mantega: não podemos fazer papel de "bobos" na guerra cambial

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a dizer nesta terça-feira que o governo vai adotar mais medidas contra a guerra cambial e a invasão do mercado interno com produtos importados, o que prejudica a indústria nacional. Mantega participou de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no início da tarde de hoje.

"Em função disso (guerra cambial) é que o governo põe em prática medidas de defesa comercial. Apesar de sermos partidários do cambio flutuante, não podemos fazer papel de bobos e nos deixar levar pela manipulação cambial praticada nos países avançados", disse o ministro.Mantega se refere a uma prática adotada pelos países avançados após o agravamento da crise mundial de manipular as taxas de câmbio para desvalorizar suas moedas e tornar seus produtos mais atrativos em mercados cuja economia doméstica está mais aquecida, como o Brasil.

"A China administra seu câmbio há pelo menos 20 anos, mantém o câmbio desvalorizado e não podemos baratear suas exportações. Os Estados Unidos têm briga com a China justamente porque os chineses não deixam valorizar sua moeda e os EUA perdem competitividade. Este era um problema mais isolado, mas se generalizou quando os países adotaram a política de expansão monetária, desvalorizando suas moedas", destacou.

Segundo Mantega, o setor de manufaturados (indústria) mundial não se recuperou da crise de 2008 e já vinha em má situação desde 1991. "Desde então o setor diminuiu a participação no Produto Interno Bruto (PIB) dos países desenvolvidos, da América Latina e da Europa. A única região onde isso aumenta é a Ásia. Claro que a Ásia usa mão de obra muito barata, não há direitos trabalhistas, etc", finalizou.