Negociações sobre a dívida grega "no fio da navalha"

As negociações sobre o perdão de metade da dívida grega, detida por credores privados, e a concessão ao país de mais uma ajuda por parte dos credores institucionais estão "no fio da navalha", declarou neste sábado o ministro grego das Finanças. "Estamos em um caminho muito estreito", disse Evangelos Venizelos à imprensa em Atenas, logo após uma teleconferência com seus parceiros europeus.

Em troca de apoio, a ''troika'' de credores institucionais exige que os partidos representados no governo grego de coalizão se esforcem em favor de novas reformas estruturais para liberalizar a economia e novas reformas de austeridade para sanear as contas públicas. A ''troika'' espera novos sacrifícios sociais, como a diminuição de salários e aposentadorias, medidas que encontram resistência nos sindicatos e nos próprios partidos políticos.

"A teleconferência foi muito difícil. Existe muita ansiedade e muita pressão", declarou Venizelos. "Concordamos sobre o modo de recaptalizar e reestruturar o sistema bancário, as privatizações e muitas reformas estruturais", afirmou.

Dois tópicos relacionados permanecem em aberto: a liberalização do mercado de trabalho, que inclui o nível dos salários no setor privado, e a adoção de novas medidas fiscais para atingir as metas de 2012. E os credores privados, representantes dos bancos que negociam com a Grécia, anunciaram na sexta-feira à noite que chegariam em Atenas.

O tempo está se esgotando para a Grécia: já é admitido que, para evitar o calote da dívida, o país precise entrar em um acordo com os bancos até o dia 13 de fevereiro. O reembolso de 14,5 bilhões de euros em empréstimos é esperado até 20 de março.