População idosa da Europa é um desafio para o sistema previdenciário

O equilíbrio no sistema previdenciário europeu é um dos grandes desafios do continente para as próximas décadas, acreditam os especialistas. 

Os que vivem de aposentadorias deverão atingir a maioria da população europeia, com cerca de 30% do total em 2050. Porém, a crise econômica que se alastra no Velho Mundo já desempregou cerca de 10% do continente, causando um desequilíbrio que deverá afetar os Estados no futuro.

Segundo o economista Pedro Paulo Zahluth, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), já se pode falar em uma geração perdida em diversos países, como na Espanha, por exemplo, onde quase metade dos jovens está desempregada.

"Esta geração não vai contribuir para o estado, porém ainda deve usar os ativos dos pais, que são da geração do baby boom, a mais sortuda da história, por se beneficiar de um momento econômico de muito crescimento", afirma. Até hoje, esta geração é a que possui os maiores ativos da economia. 

Segundo Zahluth, esta geração foi a primeira em que as pessoas atingiram a idade mínima para se aposentar. "Até então, a maioria das pessoas trabalhava e nunca atingia a idade, já que a expectativa de vida era baixíssima. Ou seja, não existiam problemas previdenciários porque existiam pouquíssimas aposentadorias", afirma.

Além disso, a crise econômica que se alastra na Europa tende a prejudicar ainda mais o problema previdenciário dos países. Com os jovens sem contribuir, e a expectativa de vida crescendo, os custos do estado com os programas sociais devem aumentar.  

Atualmente, afirma o Zahluth, há na economia europeia 4 trabalhadores para cada aposentado. Em 2050, este número cairá pela metade. 

Segundo o economista, a resolução dos problemas previdenciários europeus é muito mais política do que técnica. 

"O problema é que, agora com a crise, existe uma indisposição das gerações que possuem capital de aceitar serem taxadas sobre a sua riqueza. Eles querem que os jovens paguem", afirma.  

É preciso mudar, acredita: 

"Na França, por exemplo, querem aumentar o tempo de contribuição para mais dois anos. E mesmo assim, as pessoas ainda vão usufruir de mais tempo na aposentadoria do que antes, já que a expectativa de vida não pára de crescer" analisa.

Já a professora de Relações Internacionais da UFRJ Sabrina Medeiros afirma que a crise econômica que vive a Europa é também resultado de uma série de mudanças de relações entre os países, que saíram de uma dependência comercial e financeira para uma independência econômica.

"A Europa sustentou o seu crescimento por muito tempo baseada em uma política de subsídios e protecionismo, de um imperialismo com os países africanos e sul-americanos que garantiam sua competitividade" analisa.

Porém, com a ascensão de algumas economias emergentes, como o Brasil e a China, e a perda da competitividade europeia pelo custo caro da mão-de-obra, o continente agora sofre com um alto índice de desemprego. 

"A empregabilidade baixa vem com a crise, pois a economia europeia estava baseada neste 'estado de bem estar social' sustentado pelas gerações ricas anteriores, de muita disponibilidade de mão de obra, que agora, com um déficit não consegue se pagar", afirma. 

A grande quantidade de mão de obra e a imigração podem beneficiar a economia, mas só virão com a retomada de um crescimento econômico, afirmam os especialistas. 

"Muitos nativos e imigrantes estão saindo, como diversos portugueses que entraram no Brasil no último ano", conclui Zahluth.

Apuração: Carolina Mazzi