Escândalo de presidente do Banco Nacional Suíço afeta imagem do país

A imagem da Suíça, tida muitas vezes como modelo de profissionalismo e virtude, foi manchada recentemente pelo escândalo de abusos de informação privilegiada em transações com divisas realizadas pelo presidente do Banco Nacional Suíço (BNS) e sua esposa.

Philipp Hildebrand, 48 anos, o banqueiro bilionário e elegante que entrou na instituição em 2003, teve que explicar em público, na quinta-feira, as publicações da imprensa sobre sua riqueza pessoal e sobre as transações efetuadas por ele ou sua esposa.

Kashya Hildebrand, 50, é uma mulher de negócios americana de origem paquistanesa, que trabalhou mais de 15 anos no setor bancário antes de abrir uma galeria de arte contemporânea em Zurique.

No dia 15 de agosto, através de uma conta aberta no banco suíço Sarasin, Kashya comprou 500.000 dólares americanos.

No dia seguinte, Hildebrand, que afirma ter sido informado dos investimentos de sua esposa logo que foram realizadas, advertiu ao Departamento Legal do banco central, que não fez nenhuma objeção.

Contudo, três semanas depois, no dia 6 de setembro, o BNS fixou uma cota mínima para o franco suíço, para evitar que a divisa, um valor de refúgio em tempos de crise para os investidores, se apreciasse demasiadamente. Esta decisão trouxe imediata apreciação do dólar e do euro.

Com isso, Kashya vendeu os 500.000 dólares em outubro..., com um ganho de mais de 60.000 francos suíços (63.617 dólares, 50.000 euros) e entregou o lucro a uma instituição carente.

O caso jamais teria vindo à tona não fosse o banco privado Sarasin, que detectou a operação e a comunicou a seu advogado, ligado ao partido UDC (direita populista), cujo líder é Christoph Blocher, político muito crítico à política do BNS.

Blocher transmitiu a informação à ex-presidente da Confederação, Micheline Calmy-Rey, que considerou o assunto muito importante e ordenou uma investigação cujos resultados absorveram Hildebrand.

Na quinta-feira, o presidente do BNS reconheceu alguns tropeços, mas se negou a renunciar, apoiando-se no respaldo governamental. "Minha esposa possui um caráter muito forte", disse ele ao justificar as operações ordenadas por sua esposa.

O banqueiro também teve que dar detalhes sobre suas operações imobiliárias e financeiras em 2011, para explicar por que possuía tanto dinheiro em espécie. Assim se soube da venda por 3,3 milhões de francos suíços (2,75 milhões de euros) de um chalé em Gstaad, uma estação de esqui de luxo.