Um terço dos comerciantes fluminenses está contratando para o Natal 

Boa parte do comércio fluminense está contratando mais funcionários temporários para o período das festas de fim de ano. De acordo com uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), pelo menos 33,3% dos comerciantes contarão com mão de obra temporária para as vendas do Natal e do Ano-Novo, em 2011, contra os 30,5% dos empresários que contrataram no mesmo período de 2010. No total, foram consultados 2.310 estabelecimentos comerciais.

O economista Paulo Padilha, da Fecomércio-RJ, disse à Agência Brasil que houve não só um aumento do percentual de estabelecimentos que pretendem contratar, mas também um percentual significativo de empresas (80%) pretende efetivar pelo menos um dos contratados temporários. A expectativa é gerar 96,9 mil vagas temporárias no estado nesta época do ano, superando as 87,6 mil vagas criadas em igual período do ano passado.

O salário médio em dezembro, por trabalhador temporário, deverá alcançar R$ 768,49. No mesmo mês de 2010, a média salarial ficou em R$ 760,85, mostrando incremento de 5% sobre o valor pago em igual período de 2009. Em 2011, a expansão atingiu 1%. Paulo Padilha avaliou que, nesse campo, há uma contratação acumulada de empregos formais, embora o país tenha enfrentado uma inflação mais forte este ano.

O especialista salientou que o estado do Rio de Janeiro enfrenta, de fato, um momento diferenciado. “A gente não tem observado aqui a desaceleração que temos visto na economia nacional. A geração de empregos formais no Rio de Janeiro tem crescido acima do que cresceu em 2010. Em termos de Brasil, isso já está desacelerando.”

Entre os estabelecimentos comerciais consultados pela Fecomércio-RJ, 65,5% apostaram que o faturamento será maior que o do Natal anterior. A expectativa é que o crescimento das vendas alcance 9,8% no período, este ano, repetindo praticamente os 10% de aumento registrados em 2010.

A desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca vai reforçar o cenário positivo, ainda mais no Rio de Janeiro, onde os eletrônicos, o vestuário e os brinquedos são os itens de maior apelo no Natal, avaliou Padilha. “E agora, com os itens de linha branca, isso vem reforçar [o cenário]”.

De acordo com a Fecomércio-RJ, 80% das famílias do estado estão com orçamento equilibrado, ou seja, a conta é certa ou existe sobra no orçamento. Isso permite sinalizar uma expansão das vendas no Natal, no Rio de Janeiro, perto de 10%, analisou.

No total, 60% dos estabelecimentos fizeram encomendas para o Natal. Esses pedidos são maiores para 43,4% dos entrevistados ou iguais para 41,3%, mostrando estabilidade em relação a igual período de 2010. Apenas 5,3% disseram que irão reduzir as encomendas.

O desempenho do comércio brasileiro se apoia no fortalecimento do mercado interno e no crescimento da massa salarial, explicou Padilha. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Padilha estima para o comércio nacional um crescimento entre 6,5% e 7% este ano em volume de vendas, superior à expansão do Produto Interno Bruto, esperada em cerca de 3%.

O comércio fluminense deverá mostrar aumento acima da média nacional, superando os 7% também em volume de vendas. Até setembro, excluindo material de construção e veículos, o incremento registrado pelo IBGE no volume de vendas do comércio no Brasil atingiu 7,6%, contra 8,8% no estado do Rio de Janeiro. “Então, o percentual deve ficar em torno de 7,5% no Rio”.