Banqueiros: América Latina não está imune à crise na UE e EUA

A América Latina, cuja previsão de crescimento é de 4% para 2012, tem "munição adequada" para enfrentar o impacto da crise nos Estados Unidos e na União Europeia (UE), mas não está imune a ela, advertiram os banqueiros reunidos nesta segunda-feira no encontro anual da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban).

"A região tem condições suficientes para proteger suas finanças públicas caso elas sejam atingidas por uma queda na produção e na demanda", disse o presidente da Felaban, Oscar Rivera, na abertura da 15ª Reunião anual desta organização em Miami nesta segunda-feira.

Banqueiros e especialistas em finanças presentes na reunião concordaram que, pela primeira vez, "a América Latina é um observador da crise e a dinâmica da economia é um dos seus pontos fortes". A região vai crescer 4,7% este ano, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Mas, apesar das boas perspectivas, com sete países com grau de investimento pelas agências de rating internacionais (México, Brasil, Chile, Peru, Panamá, Costa Rica e Colômbia), caso a crise europeia arraste os EUA, a China e a Índia, a situação pode ficar complicada para as economias da região.

"É importante que os bancos na região monitorem os eventos da economia global e mantenham planos de ação para o caso de um deterioramento das condições econômicas mundiais", disse Rivera, que também preside a Associação de Bancos do Peru.

"Em um mundo global, às dificuldades de outros países acaba afetando a todos, de uma maneira ou outra", disse Rivera na reunião que contou com a participação de 2 mil banqueiros de 50 países sob o patrocínio do Bankers Association of Florida (FIBA).

Nicolas Eyzaguirre, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a região também alertou sobre a necessidade de criar "políticas econômicas extremamente prudentes" para o caso de uma queda nos preços das commodities, apesar de não acreditar que a crise da Europa represente uma forte ameaça para a região.

A China e a América Latina são as duas regiões que têm melhor resistido à crise financeira global para fortalecer suas relações comerciais, mas como os especialistas ainda não conseguiram dimensionar a magnitude da crise na Eurozona e nos Estados Unidos, a cautela continua aconselhável, disseram analistas no evento.

"Não é possível prever os preços das commodities, por isso é preciso cautela", disse Eyzaguirre. "É preciso formar estoques (reservas para perdas)", completou.