Brasil quer aumentar seu poder no FMI através da ajuda à Europa

O Brasil quer aumentar sua participação no Fundo Monetário Internacional (FMI) em plena crise econômica na Europa, o que lhe possibilitaria ajudar o Velho Continente sem assumir o risco de uma assistência direta e, ao mesmo tempo, converter-se num ator de peso no organismo, dizem analistas.

O governo de Dilma Rousseff tentou elevar suas cotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) em uma estratégia coordenada com o bloco de países emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para apoiar aos países europeus, apesar de o plano não ter sido concretizado na recente reunião do G20 em Cannes, França.

Não foi feita no G20 uma proposta concreta em números, mas isso não quer dizer que isso não acontecerá no futuro", disse nesta terça-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negando a informação divulgada pelo jornal Valor Econômico, de que o Brasil ofereceu no G20 um reforço ao FMI de 10 bilhões de dólares para ajudar a Europa.

Segundo especialistas de mercado, o Brasil, está muito interessado em canalizar sua ajuda através do Fundo para aumentar seu poder na organização e evitar um aumento rigoroso em suas reservas internacionais, que alcançam os 360 bilhões de dólares.

"Usar o canal do FMI confere ao Brasil uma segurança financeira maior e um impacto geopolítico muito mais amplo, que é consistente com a estratégia brasileira de reafirmar-se como uma potência global", disse à AFP Carlos Langoni, ex-diretor do Banco Central.

"Há uma necessidade do Fundo de capitalização (...) e o Brasil vê isso como uma oportunidade de fomentar seu poder e influência, que ainda é muito limitado e que não corresponde ao crescimento e à extensão" de sua economia, disse Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas.

Em sua opinião, "nunca será possível, legalmente, para o Banco Central do Brasil utilizar suas reservas internacionais para comprar, por exemplo, títulos da Itália ou Espanha, sem mencionar Grécia, Portugal ou Irlanda", disse o especialista.

Há um ano, o Brasil e as demais potências emergentes conseguiram fazer com que o FMI aprovasse uma reforma para ampliar sua participação. O Brasil quer agora aumentar suas contribuições e ficar entre os 10 países com maior poder de decisão.

"Ao não apoiar diretamente o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e sim o FMI, os Brics querem aumentar sua influência e garantir que os países de renda média possam pedir ajuda ao Fundo caso precisem", disse Giorgio Romano, especialista em organismos multilaterais da Universidade Federal de Santo André, de São Paulo.