Ministro: governo está aberto a propostas de montadoras sobre IPI 

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou nesta quinta-feira que o governo federal está aberto a propostas para desonerar empresas automotivas estrangeiras que pretendam produzir veículos no Brasil. "As empresas que querem seriamente permanecer no Brasil para produzir carros com conteúdo nacional, com inovação tecnológica e que fizerem propostas, nós vamos examinar. O governo está aberto a propostas, a qualquer proposta séria nessa direção", disse o ministro, que participou de reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), no Palácio do Planalto.

"O Brasil é o quinto mercado no mundo de automóveis, mas é o sétimo parque produtivo. Queremos ser o quinto parque produtivo. Não temos uma marca do Brasil. As indústrias que estão aqui vão ter que começar a fazer pesquisa no Brasil. Não queremos ser só um mercado ou só uma manufatura. Estamos abertos a negociar o cronograma de adesão a essas regras", completou o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Em 15 de setembro, o governo anunciou um forte aumento na taxação de veículos importados numa ofensiva para estimular a produção nacional. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi elevado em 30 pontos percentuais, para até 55%, até o final de 2012, e a medida passou a valer já em 16 de setembro, atingindo principalmente marcas asiáticas que, por enquanto, estão trabalhando apenas com importação de produtos prontos no País. Para não serem atingidas pela taxação de IPI, o governo exige das montadoras índice de nacionalização de 65% e o cumprimento de etapas produtivas no Brasil ou Mercosul.

Ao comentar a medida, Fernando Pimentel disse que, por enquanto, não está em debate a possibilidade de alterar o índice de nacionalização e afirmou que a decisão do governo não prejudica a indústria automobilística nacional. "Em princípio não estamos discutindo isso (mudança no índice de nacionalização). O regime está pronto, está funcionando. Algumas empresas que querem se estabelecer no Brasil têm nos procurado e sugerido que alteremos os índices de nacionalização das empresas entrantes. Estamos abertos a propostas e sugestões, mas nesse momento não estamos pensando em fazer nenhuma mudança", relatou.

"A medida que foi adotada é uma medida de incentivo à produção nacional. Significa que nós queremos atrair mais empresas para o Brasil. Não estamos proibindo ninguém de vir. Pelo contrário, queremos que venham produzir aqui. O que nós estamos fazendo é cuidar do nosso mercado interno para que ele não seja ocupado apenas pela produção externa", concluiu o ministro.