Garantia de comercialização impulsiona agricultura familiar no Amazonas

Em 1990, um grupo de agricultores familiares do Projeto de Assentamento Uatumã, em Presidente Figueiredo (AM), município do Território da Cidadania Manaus e Entorno, começou a se organizar para melhorar o processamento da polpa do cupuaçu, fruto típico da região amazônica utilizado na alimentação e na produção de sorvetes, sucos, bombons e produtos da industria farmacêutica. Surgia a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores do Projeto de Assentamento Uatumã, que hoje articula produtores do assentamento e de toda a região.

“Hoje, 95 famílias são sócias da cooperativa e trabalhamos com uma gama de produtos e não só mais com o cupuaçu”, destaca Ozeas Martins da Silva, presidente da Cooperativa Uatumã. As famílias produzem frutas, verduras, legumes, pequenos animais e peixe. “Temos uma produção estruturada da banana e macaxeira e processamos a polpa do cupuaçu, todo legalizado, registrado”, reforça Ozeas.

Nesta quarta-feira (28), o processo de organização alcançou um novo estágio com a assinatura de um acordo com a prefeitura de Manaus para fornecer produtos diretamente para a alimentação escolar. A cooperativa vai entregar banana, couve, cheiro verde, pimenta de cheiro e abacaxi, totalizando nesta primeira etapa 19 toneladas. Outra política de comercialização do Governo Federal que beneficia os cooperados da Uatumã é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Ozeas lembra que, antes de a cooperativa acessar políticas públicas de comercialização, os produtores tinham muita dificuldade de chegar aos mercados e conseguir uma boa renda com sua produção. “Era muito comum a gente vender a produção para atravessadores, que pagavam o preço que queriam e da forma que queriam”, compara. “Agora, o PNAE está mudando esta cultura. O agricultor familiar fornece para um mercado certo. Com o PAA e o PNAE a vida dos produtores tem melhorado em todos os quesitos, principalmente na qualidade de vida e no planejamento da produção. Como a gente já sabe o que será comercializado, é fácil planejar o que plantar.”

O presidente da Cooperativa Uatumã aponta outra conquista com a política de compras públicas de produtos da agricultura familiar. “A garantia de comercialização traz também a organização das cooperativas, das associações, porque só o agricultor organizado tem a garantia da comercialização” destaca o presidente da Uatamã. Isto está motivando os agricultores a investir para melhorar a infraestrutura produtiva de suas propriedades, como irrigação e mecanização. “Hoje, o agricultor familiar da cooperativa sabe que tem como pagar se pegar um dinheirinho no banco, e o banco confia no agricultor porque ele tem a venda certa.”

Junto com a esposa e duas filhas, Ozeas produz laranja, banana, peixe em cativeiro, e caprinos. Também conta com uma pequena horta para o consumo diário da família. Na área de 100 hectares, apenas 17 dos seus 100 hectares são utilizados para produção. O restante é área de preservação.