Agravamento da crise mundial não surpreendeu Copom, diz Tombini

Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não foi surpreendido pelo agravamento da atual crise econômica internacional, destacou o presidente da autarquia, Alexandre Tombini, em audiência pública, no Senado, hoje (27).

No dia 31 de agosto, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual para 12% ao ano. A decisão não era esperada pelo mercado financeiro, que projetava manutenção da taxa.

Segundo Tombini, a avaliação do BC “está em linha” com o que está acontecendo no cenário internacional nas últimas semanas.

Na audiência, ele também disse que deve haver pequena redução do grau de endividamento de economias maduras nos próximos cinco anos. Segundo o presidente do Banco Central, houve esgotamento dos instrumentos de políticas monetária (redução dos juros) e fiscal (aumento de gastos públicos para estimular as economias) nas economias maduras.

Com a crise externa, a expectativa do presidente do BC é que haja moderação no crescimento da economia brasileira este ano. “Temos capacidade de continuar crescendo, trazendo a inflação para o centro da meta”, enfatizou.

Segundo ele, “é justo dizer que a inflação mensal tem rodado em nível compatível com a meta”. Tombini voltou a dizer que a inflação deve convergir para o centro da meta de 4,5%, em 2012.

Analistas do mercado financeiro consultados pelo BC esperam que a inflação ultrapasse o teto da meta este ano, ao ficar em 6,52%. Para 2012, a projeção é 5,52%.

De acordo com Tombini, além da moderação do crescimento da economia, deve contribuir para a redução da inflação no país a estabilidade e até uma possível redução dos preços das commodities (produtos primários com cotação internacional).