Montadoras de automóveis estão confiantes diante da crise

As montadoras de automóveis, reunidas no Salão de Frankfurt (IAA), estão confiantes apesar da crise financeira e do baixo crescimento econômico mundial, e acreditam que sua posição é melhor do que há três anos, quando a quebra do Lehman Brothers abalou o planeta.

"No momento, nosso setor não está afetado pela instabilidade dos mercados financeiros. Temos uma forte demanda, em todo o mundo, tanto de parte de clientes privados como de empresas", disse o patrão da alemã Daimler, Dieter Zetsche, ao abrir para a imprensa o IAA, o maior salão de automóveis do mundo.

Martin Winterkorn, da Volkswagen, compartilha da mesma opinião: "consideramos que os mercados de automóveis no mundo vão seguir evoluindo de maneira positiva".

O grupo alemão Bosch, um dos maiores fabricantes de autopeças do planeta, calcula um crescimento de 5% na produção mundial de automóveis.

Mas apesar do otimismo, há uma certa preocupação com a persistente crise da dívida na zona euro e com os sinais de debilidade, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Há no ambiente a sensação de que as montadoras de veículos esperam uma mudança de panorama.

Os dois anos de forte crescimento que a indústria automobilística acaba de conhecer, apoiados por encomendas governamentais, podem ficar para trás, apesar de ninguém acreditar em uma nova recessão.

Se as turbulências persistirem por muito tempo "isto poderá, evidentemente, afetar a economia real", comentou o patrão da Daimler.

"Estamos preparados para um crescimento menor no futuro", declarou na semana passada o diretor financeiro da BMW, Friedrich Eichiner, que descarta uma recessão.

Já a francesa Renault evita fazer qualquer tipo de prognóstico para o próximo ano e a PSA Peugeot Citroën, também francesa, está prevendo "tempos mais difíceis", segundo o presidente de seu conselho, Philippe Varin.

"Temos um contexto de fraco crescimento diante de nós, inclusive de recessão, e não sabemos" o que ocorrerá, advertiu Varin, sem descartar o recurso de uma paralisação parcial da produção na França.

Os patrões alemães dizem que também estão prontos para uma eventual nova crise, e que podem adotar uma paralisação parcial ou redução dos horários de trabalho, como já ocorreu no passado.