Dívida pública na zona do euro alcançará 88,7% do PIB em 2012

A dívida pública na Eurozona atingirá um nível recorde em 2012, a 88,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo um relatório sobre as finanças públicas divulgado pela Comissão Europeia. Em 2007, a dívida pública ficou em 66,3% do PIB da Eurozona (integrada por 17 dos 27 países da União Europeia) e em 59% no conjunto da UE. A dívida alcançará no próximo ano 83,3% do PIB dos 27. 

 "As medidas de saneamento adotadas devem permitir um freio desta alta, e os Estados membros têm manifestado em seus programas de estabilidade e convergência os planos que pretendem reforçar estas medidas. Se os Estados membros cumprirem seus planos, a dívida deve ser estabilizada até 2012", afirma o documento. 

Se os Estados não conseguirem respeitar os compromissos, a dívida pública recuará até 2014, mas de forma muito díspar, segundo a Comissão. 

Entenda

No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas. 

A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália (120% do PIB) e Espanha. 

Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições impostas pelo FMI. 

A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos. Os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - no último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor's retirou a nota máxima (AAA) da dívida americana.