Mantega critica capacidade dos EUA e UE para resolver problemas

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a criticar nesta terça-feira os governos dos Estados Unidos e da União Europeia (UE), incapazes de resolver seus problemas econômicos e financeiros, e estimou que, com esse quadro, essas regiões devem ter crescimento econômico menor nos próximos anos, agravando ainda mais a guerra cambial por disputa de mercados. 

Embora tenha destacado que a economia brasileira está preparada, ele avaliou que, se os países avançados tiverem deterioração de seus cenários, as nações emergentes também devem ser afetadas. 

"Estamos preocupados com o baixo nível de crescimento da economia americana, que ainda é um dos principais motores da economia mundial. Está decepcionando quanto às taxas de crescimento", disse. "Quando você emite muito moeda nos EUA, está desvalorizando o dólar. No último ano se desvalorizou 50% e (o governo dos Estados Unidos) está barateando artificialmente suas mercadorias. Até os EUA estão disputando os mercados de emergentes como o Brasil, barateando seus custos com essa guerra cambial. Poderemos ter, portanto, redução do crescimento mundial", afirmou o ministro, que participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. 

Ao comentar especificamente a situação econômica americana, Mantega criticou a disputa política entre democratas e republicanos pela revisão do teto da dívida dos Estados Unidos e explicou que esse embate entre parlamentares de ideologias diferentes não existe no Brasil no que diz respeito a políticas de enfrentamento da crise mundial. "Nos EUA o quadro é pior porque existe um conflito político forte. A situação dos EUA é melhor que a Europa porque os bancos estão capitalizados, mas como estão falhando, estão batendo cabeça, fica um conflito político exacerbado e que leva ao rebaixamento dos Estados Unidos e a dúvidas de se os EUA, que já foram o mais seguro do mundo, se os títulos americanos são os mais seguros ou não. O político nesse caso esta atrapalhando", disse. 

Ele fez uma relação entre a situação polícia americana e a brasileira. "No Brasil isso não acontece. O conflito político é natural, faz parte da democracia, mas aqui todos colaboram e conseguem solucionar. Do ponto de vista político estamos mais maduros que os Estados Unidos", afirmou. Ao Congresso, o chefe da Fazenda voltou a fazer um apelo para que o Congresso Nacional não aprove medidas que impliquem aumento de gastos, como a proposta de emenda constitucional que estabelece um piso salarial para policiais. "Esse cenário internacional naturalmente nos coloca desafios. O primeiro é que continuemos essa trajetória de bons resultados primários. O que o governo faz é um esforço para que as despesas de custeio sejam controladas, cresçam menos que o PIB (Produto Interno Bruto), e que novas despesas não sejam criadas. Devemos fazer essa contenção de gastos de custeio este ano para abrir espaço para investimentos e desonerações tributárias", explicou. 

Para o ministro, o governo brasileiro tem mecanismos para enfrentar a crise mundial, classificada por ele como pior que a de 2008 e uma continuação das turbulências provocadas naquele ano. "Não podemos permitir que a indústria brasileira seja extinta. Temos que defender o mercado brasileiro para os produtos brasileiros. Fizemos um esforço para construir esse mercado que agora sofre predação (...) de aventureiros que entram aqui. Não estou falando de concorrência leal. Estou falando de contrabando, (...) e a Receita Federal está se empenhando nesse trabalho", disse.